RS tem invasões e clima tenso

Brigada Militar deslocou pelotão para vigiar grupo

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram ontem duas propriedades rurais no Rio Grande do Sul. Em São Luiz Gonzaga, nas Missões, no oeste do Estado, eles caminharam 14 quilômetros - a distância entre o lugar onde estavam acampados, ao lado de BR-285, e a fazenda invadida, uma área de 708 hectares, à margem, da RS-168. Cerca de 300 pessoas participaram da marcha, que passou pelo centro da cidade e terminou com a montagem de novo acampamento, dessa vez no interior da propriedade.A Brigada Militar deslocou um pelotão para vigiar os invasores. Essa e outras manifestações ocorridas ontem no Estado foram marcadas por um clima de tensão."Vamos ficar para mostrar ao Incra e ao governo federal que há áreas disponíveis para a reforma agrária nessa região do Estado", afirmou João Gonçalves, da coordenação estadual do MST. A família Marques, proprietária da área, acionou seus advogados para avaliar as medidas judiciais que poderá tomar. O Incra confirma que chegou a estudar a aquisição da área no ano passado, mas entendeu que a prioridade deveria ser dada a outras fazendas em função de preços e adequação das terras.Em Canguçu, no sul do Estado, outro grupo do MST invadiu a Fazenda São João da Armada ao amanhecer e saiu ao fim da tarde. O MST quer a desapropriação da área de 1,13 mil hectares. O Incra afirma que não pode considerar a fazenda improdutiva, porque ela não foi fiscalizada nos últimos anos.Uma terceira manifestação dos sem-terra acabou frustrada. Em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, cerca de 150 acampados iniciaram uma passeata, mas foram bloqueados pela Brigada Militar, a pedido do Conselho Tutelar, que sustentou que as crianças não deveriam participar da manifestação. Diante das objeções, os militantes desistiram.

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