Rouanet enumera "déficits" da globalização

O embaixador Sérgio Paulo Rouanet criticou a globalização e defendeu a criação de um governo mundial - o que classificou de "utopia" -, como forma de equilibrar seus efeitos negativos. Para Rouanet, a globalização levou o Brasil a um "déficit de autonomia" nos campos econômico, político e cultural. O mesmo, segundo o diplomata, acontece com a mulher e o indivíduo. "As decisões que afetam o povo brasileiro não são tomadas aqui", disse o embaixador, que listou exemplos do ?déficit?: a subordinação do Banco Central às decisões do Fed (o BC americano); a "sabotagem" do saber pelo predomínio da indústria cultural; a perda dos vínculos naturais do homem (com a família, o local de trabalho); além das limitações geográficas das conquistas da mulher.Rouanet participou do seminário Globalização, Democracia e Desenvolvimento Social, no hotel Copacabana Palace. O evento foi promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), que tem como presidente o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia. "Não devemos ter medo de caminhar para uma democracia mundial. A utopia é uma coisa necessária", afirmou.Os "embriões" do governo mundial seriam organismos internacionais já existentes, como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), esta reunida no Catar. Na proposta de Rouanet, a Assembléia Geral da ONU poderia ser substituída por um modelo bicameral: uma das câmaras representaria os Estados e a outra, os "povos".À globalização, Rouanet opõe o conceito de universalização. "Há dois tipos diferentes de internacionalização. Um busca o aumento da eficácia no processo produtivo e segue os impulsos do capital. É a globalização. Ao outro, iluminista, cujo objetivo é a emancipação, dou outro nome: universalização". Para ele, faltam força e velocidade ao último.Há, porém, de acordo com o embaixador, iniciativas que indicariam esse caminho universalizante: a proposta de criação de um Tribunal Penal Internacional e as instâncias de controle dos danos ao meio-ambiente e do respeito aos Direitos Humanos. "É um processo que está em marcha, e tem que ser aprofundado."

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