Rosto é cortado das fotos para despistar Exército

Às margens do Rio Tocantins, a cidade maranhense de Porto Franco foi um dos locais de preparação dos guerrilheiros do Araguaia. Em 1966, o médico gaúcho João Carlos Haas, o Doutor Juca, instalou um pequeno hospital no lugar. Dois anos depois, informado que sua presença na região tinha sido descoberta pelos militares, ele se despediu dos pacientes e amigos e se retirou para a beira do Caianos, perto de São Geraldo do Araguaia, no Pará.Quando agentes militares chegaram a Porto Franco, moradores da cidade se recusaram a prestar informações sobre o médico e sobre a guerrilheira Dinalva Teixeira, a Dina. É o que dizem uma série de relatórios militares produzidos no período. "Estes (moradores) evitam fornecer qualquer informe que venha a prejudicá-los", destaca o relatório da Operação Sucuri.Para dificultar o trabalho de inteligência, os moradores ainda cortaram o rosto de Haas das fotografias dos álbuns de família. Nessas imagens, o médico aparece sempre com camisa branca e calça escura. Os moradores não tinham a intenção de se proteger e mostrar distanciamento da guerrilha, pois os rostos de outros integrantes do movimento armado foram mantidos nas fotografias, como Elza Monnerat e Gilberto Olímpio, que também passaram pela cidade.

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