Jefferson Bernardes/AFP
Jefferson Bernardes/AFP

Rossetto diz que Dilma vai se envolver em campanhas municipais

Segundo ex-ministro, presidente cassada deverá usar as redes sociais para fazer uma menção ao feriado de 7 de Setembro

Gabriela Lara, Porto Alegre

07 de setembro de 2016 | 10h11

O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social Miguel Rossetto afirmou na noite desta terça-feira, 6, que a ex-presidente Dilma Rousseff deverá se envolver na campanha municipal deste ano em diferentes cidades do País. "Ela vai gravar programas (para a propaganda eleitoral na TV), vai participar em atos no Brasil, sim", disse ele na capital gaúcha.

Segundo Rossetto, nesta quarta-feira Dilma deverá usar as redes sociais para fazer uma menção ao feriado de 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil. Mas não participará de nenhum ato público. Ela também deverá se manifestar sobre a abertura das Paralimpíadas - às 18h45 desta quarta -, para desejar sorte aos atletas brasileiros.

Rossetto viajou com Dilma no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que a transportou de Brasília até a Base Aérea de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Depois, acompanhou a presidente cassada, de carro, até o prédio onde Dilma tem apartamento. Na saída do edifício, ele conversou com a imprensa. A ex-presidente subiu sem conversar com os jornalistas.

Rossetto frisou que a prioridade de Dilma, nos próximos dias, é ficar ao lado da família. Por isso, por enquanto, não há nenhum ato marcado. "Ela está se preparando para isso (para participar da campanha). Deixa ela descansar alguns dias." Ele disse que ela também vai acompanhar, de Porto Alegre, as iniciativas junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) acerca do julgamento do impeachment no Senado.

A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff recorreu ao STF para defender a votação fatiada do impeachment da petista, que a manteve apta a assumir cargos públicos apesar da cassação de seu mandato. Na semana passada, onze mandados de segurança foram levados ao Supremo contra a votação dividida. Os recursos foram protocolados por partidos políticos, cidadãos e associações, com pedido para anular a parte da deliberação que favoreceu a ex-presidente.

"A presidente é uma pessoa muito sólida. Firme, serena. Segue obviamente triste e indignada. Mas numa posição de combate, de luta pela democracia brasileira", falou.  Ele ainda confirmou que Dilma pretende aproveitar o tempo, a partir de agora, para escrever um livro.

Chegada. Após deixar em definitivo o Palácio da Alvorada, Dilma chegou ao Rio Grande do Sul na terça-feira, num fim de tarde chuvoso e frio. Ela desembarcou na Base Aérea de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, por volta das 19 horas. Foi recebida por uma pequena comitiva formada por diretores do PT-RS e políticos como os deputados federais Henrique Fontana (PT-RS) e Maria do Rosário (PT-RS), a deputada estadual Manuela D'Ávila (PC do B) e o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont (PT), que é candidato este ano à Prefeitura.

Na saída da base militar, Dilma foi saudada por um grupo de cerca 80 simpatizantes que a esperava na rua – o local não é aberto ao público. Ela desceu do carro, cumprimentou as pessoas e recebeu rosas vermelhas, assim como já havia feito na saída do Alvorada. A ideia inicial era fazer um ato maior de boas-vindas no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, mas, como o avião da FAB que levava a petista aterrissou na base militar, o evento acabou sendo cancelado.

Assessores da petista explicaram que a decisão de mudar o local de pouso partiu da FAB. A equipe da ex-presidente foi informada, durante o dia, de que não seria possível descer no Salgado Filho. A maior parte dos integrantes do PT e de movimentos sociais se concentrou na Esquina Democrática, no centro da cidade, onde ocorria, desde o fim da tarde, uma manifestação contra o governo do presidente Michel Temer. Dilma pensou em ir até o local, mas desistiu por causa do mau tempo e do cansaço.

Da Base Aérea ela se dirigiue para seu apartamento, localizado na zona sul de Porto Alegre. Nos próximos dias, Dilma vai descansar ao lado da filha, Paula Araújo, e dos netos, Gabriel e Guilherme, que moram na cidade. De acordo com assessores, não está descartada a possibilidade de que ela deixe Porto Alegre por alguns dias para ter mais privacidade. Sua mãe, Dilma Jane, de 93 anos, que vivia com ela em Brasília, está em Minas Gerais com parentes.

A mudança de Dilma que saiu de Brasília deve chegar à capital gaúcha no final desta semana. Quase tudo irá para um depósito alugado. Só terão espaço no apartamento, no bairro Tristeza, os objetos pessoais – são mais de oito caixas só de livros.

A ex-presidente vai fixar residência em Porto Alegre, mas quer passar temporadas no Rio de Janeiro, onde sua mãe tem um apartamento. A cidade é considerada mais estratégica para que a petista se movimente pelo cenário político e possa fazer oposição ao governo de Michel Temer.

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