Rossetto descarta medidas contra nova onda de invasões

O governo Lula não pretende adotar nenhuma medida excepcional contra a nova onda de invasões, deflagrada esta semana por trabalhadores sem terra, seguida de violência e mortes. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, que afirmou à Agência Estado não ver nos episódios recentes nenhum risco de abalo para as instituições. "Em hipótese alguma a legalidade e o Estado de Direito estão ameaçados", ressaltou o ministro. "Não há nada que autorize qualquer ambiente de perda de controle no campo." Segundo Rosseto, a Justiça e as polícias estaduais têm plena condição para combater os excessos e repor a ordem legal. A inteligência da Polícia Federal, informa o ministro, acompanha os movimentos dos sem-terra, mas ainda não foi acionada para entrar em ação. Na sua opinião, a luta por terra no Brasil já viveu padrões de conflito muito superiores e hoje já há um amadurecimento entre o que é direito de manifestação de opinião, "que deve ser assegurado por um governo democrático", e o ambiente de violência e criminalidade. "Eventuais excessos, como os atuais, têm sido corrigidos pela Justiça e as estruturas legais do País", observou. Fase de ouro A reforma agrária com qualidade, de acordo com Rossetto, é compromisso de honra do governo, como base da política de desenvolvimento nacional. Para ele, o programa de distribuição de terras e de qualificação da agricultura familiar "entrou numa fase de ouro" neste segundo semestre, com grandes perspectivas de deslanchar em 2005. "Por isso, não há nada que justifique a ampliação de conflitos." De janeiro de 2003 até agora, o MST já promoveu mais invasões do que em todo o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. O principal dirigente do movimento, João Pedro Stédile, intensificou as críticas ao governo e tem ameaçado repetir neste segundo semestre as ações radicais do abril vermelho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.