Wilton Júnior/AE
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Rosinha Garotinho chama prisão do marido de "retaliação"

Prefeita de Campos dos Goytacazes afirmou que o encarceramento de Garotinho é uma resposta às acusações que ele fez contra o atual governador fluminense Luiz Fernando Pezão e o ex-governador Sérgio Cabral

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 11h09

A prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho (PR-RJ), chamou de "retaliação" a prisão de seu marido, o ex-governador do Rio do Janeiro Anthony Garotinho, ocorrida na quarta-feira, 16, sob comando da Polícia Federal. "Não há provas contra Garotinho, não houve roubo e nem desvio de dinheiro, não há prova contundente, isso é retaliação porque ele vem denunciando gente grande", disse a ex-governadora do Rio, em entrevista à Rádio Estadão.

Segundo Rosinha, a prisão só se concretizou porque seu marido realizou denúncias à Procuradoria-Geral da República na semana anterior, muitas das quais envolvendo pessoas com foro privilegiado. As informarções estariam em um documento com mais de mil páginas e envolveria os dois últimos governador fluminenses, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Sérgio Cabral (PMDB), preso hoje pela Polícia Federal durante fase da Operação Lava Jato, além de um desembargador e membros da Assembleia Legislativa do mesmo estado.

Garotinho, que é secretário municipal Campos dos Goytacazes, é acusado pela Polícia Federal de liderar um esquema de compra de votos na eleição deste ano envolvendo um dos programas sociais criados por Rosinha, o Cheque Cidadão, que concede R$ 200 a pessoas de baixa renda.

"O programa é do meu governo e ele vem sendo acusado de compra de voto com benefício social, ainda que tivesse algum problema e provas concretas, que não tem, ainda que tivesse alguma condenação, nunca seria uma prisão, seria pena alternativa", defendeu.

Lava Jato. A prefeita também criticou a situação política atual, dizendo viver em um País de "Lava Jato, de corrupção, onde a República está caindo", que prende pessoas que fazem graves "e comprovadas" denúncias. Além disso, ela afirmou que vão aparecer muito mais provas contra Cabral, mais que "apenas os R$ 220 milhões" em propinas para a concessão de obras públicas, pelos quais é investigado.

"Isso tudo é retaliação pelas denúncias, não tem prova que justifique ele estar preso. No máximo, se tivesse algo, seria distribuir cesta básica na comunidade, a população precisa saber distinguir, é uma investigação sobre dar benefício para matar a fome de gente pobre, não é roubo, não tem conta fora do Brasil, não tem enriquecimento ilícito", argumentou Rosinha, acusando que, enquanto seu marido está preso, há outros políticos "roubando" o País.

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