Rosinha e Garotinho são acusados de abuso de poder político

A governadora Rosinha Garotinho (PFL) e o marido dela, o presidente do PMDB fluminense, Anthony Garotinho, foram acusados novamente de abuso de poder político. De acordo com representação do Ministério Público Federal ao Tribunal Regional Eleitoral, foram autorizadas obras de pavimentação de ruas em Sapucaia, na Região Centro-Sul, em troca de apoio de lideranças locais à candidatura de Geraldo Pudim para deputado federal. O procurador Artur Gueiros pede punição para o casal, Pudim, e o presidente do Departamento de Estradas e Rodagem, Henrique Alberto Ribeiro, este por ter autorizado as obras.O suposto acordo veio à tona em discurso do vereador Fabrício Baião, na Câmara Municipal, em 17 de agosto, em que ele conta que teve encontro "muito produtivo" para Sapucaia com Garotinho, a quem se refere como "governador", e outros vereadores. "E o governador falou: ´Se eu der para você o que eu dei para eles, você apóia o meu candidato?´ Eu falei: ´eu ligo agora para o Josias Quintal e falo para ele que eu vou apoiar o seu candidato, que é o deputado Pudim´. E ele falou: ´Então tá fechado. Eu vou te dar 1.500 metros de asfalto, uma rua de seis metros de largura, com meio fio e saneamento básico´", disse o vereador, segundo degravação da sessão anexada à representação.Para Gueiros, Garotinho exerceu, "por delegação informal" de Rosinha, as funções de governador do Rio de Janeiro e "efetuou espúria barganha eleitoral com lideranças políticas de Sapucaia". Para o procurador, a cessão de maquinaria e asfalto do DER afetou a igualdade de oportunidades entre os candidatos. Ele pediu que o casal e o presidente do DER sejam multados de 5 mil a cem mil Ufirs (de R$8.496 a R$ 169.920), a mesma cobrança para partido, coligação e candidato beneficiados, além da cassação do registro ou diploma de Pudim.O Palácio Guanabara divulgou nota informando que "as obras foram firmadas por intermédio de convênios com a prefeitura de Sapucaia, estabelecidos antes do período eleitoral". Ainda de acordo com a nota, "o presidente do PMDB, Anthony Garotinho, não tem e não tinha cargos no governo, e não poderia autorizar nenhuma obra". O deputado federal eleito Geraldo Pudim não retornou as ligações do Estado.O casal Garotinho respondeu a processo por abuso do poder econômico, político e administrativo nas eleições municipais de Campos, em 2004. Eles foram acusados de compra de votos e de utilização de programas sociais do Estado para beneficiar Pudim, que perdeu a eleição. Condenados, a governadora e o marido tornaram-se inelegíveis, mas recorreram e foram absolvidos em segunda instância.

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