Rosinha e Cabral tentam afastar divergências no RJ

A governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB), e o governador eleito, Sergio Cabral Filho (PMDB), reuniram-se nesta quinta-feira no Palácio Guanabara na tentativa de afastar as divergências que atrapalham a transição no Estado. Mesmo sendo aliados, Rosinha tem surpreendido Cabral nos últimos dias com a adoção de medidas que podem prejudicar o caixa, já minguado, do novo governo. Apesar de não resolverem todas as questões, os dois prometeram restabelecer o bom relacionamento que levou o casal Garotinho a apoiar a candidatura de Cabral. "Intriga não faz parte do nosso dicionário", disse Rosinha, com o semblante fechado, braços cruzados sobre a mesa de vidro e os ouvidos atentos a cada palavra de Cabral. O governador eleito classificou o encontro de "positivo" e agradeceu a gentileza de Rosinha abrir horário na agenda para recebê-lo.Iniciativas como a não-correção da tabela do IPVA e um pacote de projetos que propõe antecipação de recursos e anistia de parte de juros e multas cobrados sobre as dívidas de ICMS surgiram em meio à insatisfação de Rosinha e do ex-governador Anthony Garotinho com as críticas de Cabral ao governo atual e a indicação de desafetos do casal para o novo secretariado, como a ex-governadora Benedita da Silva (PT). Cabral criticou as medidas, mas, na quarta-feira, a governadora havia dito que não voltaria atrás e se disse disposta a encontrar-se com o governador eleito, com quem não falava ultimamente. Na manhã desta quinta-feira, Cabral ligou pedindo uma reunião e foi recebido à tarde. Dá cá, toma lá No encontro, cada um cedeu um pouco. Rosinha concordou em reajustar a tabela do IPVA em cerca de 4%, como estava previsto, mas fez questão de registrar que atendia a um pedido de Cabral. Ela afirmou que tinha tomado a decisão porque o governador eleito havia declarado aos jornais que não iria aumentar impostos. Cabral engoliu o argumento de que a isenção do ICMS para o diesel consumido pelas empresas de ônibus, proposta de Rosinha que ele criticara, tem o mesmo sentido do benefício de trens e metrô em relação à energia elétrica. Sobre o ponto mais polêmico, o que propõe que empresas beneficiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social (Fundes) paguem dívidas do Estado em vez de devolver os recursos dos empréstimos, não houve acordo. A medida ajudaria Rosinha a fechar as contas e passar pela Lei de Responsabilidade Fiscal. "Vamos analisar mais profundamente. A justificativa da governadora aponta no caminho do cumprimento de responsabilidades. Nossas equipes vão aprofundar informações nos próximos dias. As coisas estão caminhando numa transição muito positiva, que é o que eu e Rosinha sempre desejamos", disse Cabral. A governadora afirmou que entregará o Estado com contas equilibradas e negou que queira atrapalhar o governo do sucessor.

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