Rosinha admite uso de verba pública em protesto no RJ

A prefeita de Campos e ex-governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, admitiu usar recursos da prefeitura para apoiar a ação de manifestantes, que bloquearam hoje as duas pistas da rodovia BR-101 na altura de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, em protesto contra a chamada "emenda Ibsen". "É tudo verba pública e eu estou lutando por verba pública. Se tiver que ser usado (recurso público), vai ser usado. É uma questão de sobrevivência", disse Rosinha, que chegou de helicóptero ao local após deixar o Rio.

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

11 de março de 2010 | 19h57

A rodovia, principal ligação entre o Rio e o Espírito Santo, só foi liberada no início desta noite. Durante o dia, pneus foram queimados. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) recebeu denúncias de que funcionários públicos foram recrutados nas prefeituras de Campos, Macaé e Quissamã para o protesto. À tarde, funcionários da prefeitura de Campos distribuíram quentinhas e armaram tendas para os manifestantes, que usavam um trio elétrico para os discursos de simpatizantes e políticos da região. Um caminhão da prefeitura de Campos foi apreendido pela PRF transportando pneus para serem queimados no local.

Os protestos ocorreram contra a provação da emenda do senador Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que prevê a distribuição igualitária entre os Estados e municípios dos royalties provenientes da exploração do pré-sal, deixando de privilegiar os Estados e municípios produtores de petróleo. "Se perdermos esses recursos, vou parar todas as obras, fechar creche, hospital, escola. Vamos simplesmente apagar a luz," disse Rosinha.

Segundo a prefeita, os manifestantes estavam dispostos a passar a noite na rodovia. Rosinha, que lidera a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), disse que a decisão de fechar a via foi tomada por um colegiado formado por empresários e prefeitos de cidades vizinhas, que também perderão recursos com a emenda, e que o movimento é "da sociedade civil". Com a maior arrecadação de royalties, Campos tem 68% de sua receita anual de R$ 1,25 bilhão no petróleo. "Não decido nada sozinha. Todo mundo apoia porque todo mundo perde. O efeito será em cascata para o comércio da região", afirmou.

Sobre os transtornos para o trânsito local, Rosinha afirmou que nada prejudica mais a região do que a emenda. Ela disse que as manifestações têm a intenção de chamar a atenção do Judiciário para o caráter inconstitucional da medida, já que não acredita em rejeição do Senado. Segundo Rosinha, uma nova manifestação está sendo planejada para o Centro do Rio na semana que vem e os articuladores do movimento viabilizarão o envio de manifestantes do interior para a capital.

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