Rosinha acusa Globo de manter conta em paraíso fiscal

A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PMDB-RJ), acusou a TV Globo de manter conta em um paraíso fiscal nas Bahamas. Segundo afirmação de Rosinha, a conta teria mais de US$ 100 milhões. A acusação foi feita nesta quinta-feira, durante o discurso de prestação de contas da gestão à frente do governo do Estado, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Rosinha acusou a rede de veicular "insanidades" contra ela e seu marido, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho. Segundo a assessoria da Rede Globo, as afirmações da governadora são "fantasiosas, vêm sendo repetidas por ela nos últimos tempos, e não correspondem à realidade". No discurso, a governadora disse, referindo-se à Globo, que "essa organização tenta pôr de todas as maneiras a marca da incompetência e da corrupção no casal Garotinho sem qualquer prova ou fundamento, a não ser o seu fantástico sensacionalismo mentiroso que, aliás, sabe fazê-lo muito bem", declarou Rosinha. A governadora do Rio fez um discurso de quase três horas e estava acompanhada por Garotinho e pela filha Clarissa, parlamentares e correligionários. Segundo a governadora, pesam contra as Organizações Globo acusações documentadas, embora ela mesma não tenha apresentado qualquer papel comprovando as denúncias. Rosinha citou, por exemplo, que a empresa responde a processo por ter adquirido o seu canal de tevê em São Paulo usando uma procuração falsa, e que se envolveu em uma operação que constitui crime contra o sistema financeiro. "Essa mesma organização cometeu um ato considerado o maior assalto aos cofres públicos da história do País contra o antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj). No mesmo dia em que as taxas regulares de mercado para operação de empréstimo eram de 40%, a Globo obteve valores vultosos a juros de 24%. E ainda mais grave: um integrante da família Marinho aplicou o dinheiro em CDBs no Citybank a juros bem maiores", apontou. Rosinha disse ainda que a Tevê Globo mantém a conta número 91493, no Banco Credité Suisse, nas Bahamas, e que o ICMS cobrado dos assinantes de tevê a cabo da organização não é repassado aos cofres do Estado. A dívida estaria em R$ 52 milhões. "Essas práticas ilegais das Organizações Globo são protegidas por quem? Mas eles não calarão a nossa voz! Não é à toa que o povo diz: ´O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo´", disse, a governadora, incitando as galerias, que repetiram o bordão. A governadora afirmou ainda que as Organizações Globo foram hipócritas ao veicularem matérias criticando os contratos que o governo do Estado fez com as ONGs, pois, segundo ela, a empresa, por meio da ONG Viva Rio e da Fundação Roberto Marinho, têm recebido verbas estaduais para implantar salas de aula do Telecurso 2º Grau. Rosinha também levantou suspeitas sobre um contrato da Fundação Roberto Marinho, celebrado em março de 2006 com a Secretaria de Estado de Educação do Espírito Santo para a implantação do projeto Multicurso. "O mais grave de tudo isso é que havia uma proposta de um outro projeto que contém dez disciplinas ao preço de dois milhões e oitocentos mil reais por ano, enquanto a Fundação Roberto Marinho embolsou seis milhões e oitocentos mil reais apenas com a disciplina de matemática", declarou a governadora, que saiu da Alerj sem falar com a imprensa.

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