Roriz teria dividido dinheiro em empresa do ´rei do entulho´

Segundo o próprio dono da empresa, os R$ 2,2 milhões chegaram em um carro forte

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O dono da Nely Transportes, Osvaldino Xavier de Oliveira, que se intitula "o rei do entulho", informou nesta terça-feira, 3, que a partilha do dinheiro (R$ 2,2 milhões), do qual o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) alega ter retirado uma parte, R$ 300 mil, para compra de uma bezerra, foi feita na sua empresa. Osvaldino disse que o empréstimo do espaço foi pedido por Valério Neves Campos, assessor especial do senador. "Fiz um favor a um amigo", disse o empresário, referindo-se a Valério. O dinheiro, segundo informou, chegou ao pátio da sua empresa, no Setor de Transportes Rodoviários e de Cargas de Brasília (SRTC), num carro forte amarelo, guarnecido por vários seguranças armados. "Tive até medo ao ver aquele montão de gente armada", disse o empresário. A seguir, Valério lhe teria pedido uma sala para a contagem e separação. Parte iria para Roriz e a outra seria devolvida ao empresário Nenê Constantino, dono da empresa aérea Gol, que fizera o empréstimo ao senador. Osvaldino explicou que presenciou apenas de longe a contagem do dinheiro e que, em seguida, os maços de notas foram divididos em duas sacolas. Na sacola maior, ele supõe terem sido colocados R$ 1,9 milhão destinados a Constatino, que teria emprestado o cheque de R$ 2,2 milhão para Roriz descontar na agência do BRB e tirar apenas o valor referente ao dinheiro da bezerra: R$ 300 mil. Na sacola menor, "do tamanho de uma bíblia", segundo Osvaldino, estaria o montante de Roriz. Investigado pelo Ministério Público por suspeita de ser "laranja" de Roriz, Osvaldino se definiu como um goiano trabalhador e de hábitos simples. "Minha especialidade é entulho. Trabalho no ramo há 25 anos e me especializei nele". O patrimônio da Nely, porém, cresceu muito nos quatro mandatos de Roriz no Governo do Distrito Federal e hoje não é nada modesto. O capital da empresa inscrito na Junta Comercial de Brasília é de R$ 3 milhões, mas pode estar subavaliado.Por conta das amizades no governo Roriz, Osvaldino passou a explorar o filão do lixo de Brasília desde o ano 2000, primeiro como subcontratada da empresa licitada, a Qualix. Em novembro de 2006, a governador Maria de Lourdes Abadia, que substituíra Roriz, então candidato ao Senado, renovou o contrato sem licitação com quatro empresas que já exploravam o serviço, entre as quais a Nely. Pelo contrato, a empresa recebeu R$ 599,5 mil em 2006 e R$ 9,6 milhões este ano, restando R$ 200 mil a receber. Por ser emergencial, o contrato venceu em maio passado, mas o atual governador, José Roberto Arruda, renovou com as mesmas empresas por falta de tempo e condições de realizar licitação. Na reunião para renovação estava presente Valério.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.