Roriz depõe no processo por racismo no STJ

O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB-DF) prestou nesta sexta-feira depoimento secreto no Superior Tribunal de Justiça para explicar porque chamou um manifestante de ?crioulo petista? durante um comício em Brazilândia, em fevereiro deste ano. O inquérito por racismo contra o peemedebista foi aberto por solicitação do procurador-geral da República, GeraldoBrindeiro, que atendeu à denúncia apresentada pelo PT.A imprensa não pôde acompanhar nem obter informações sobre o depoimento porque o relator do processo, ministro Ari Pargendler, decretou sigilo de justiça para o caso. O secretário de Comunicação Social do DF, Wellington Moraes, afirmou, no entanto, que a linha de defesa deve ter sido semelhante ao que Roriz vinha dizendo em público. ?Pela posição do governador, ele deve ter explicado que não quis ofender ninguém, mas dar uma tratamento pessoal a um velho conhecido?, afirmou Moraes, referindo-se a Marinalvo Nascimento, o manifestante chamado de ?crioulo petista?. Eleitor e conhecido do governador há ?mais de 20 anos?, Nascimento serviu como uma espécie boi de piranha para as manifestações anti-petistas de Roriz. ?Ali está um crioulo petista que eu quero que vocês dêem um salva de vaias nele?, pediu o governador na ocasião. Eufórico, o público vaiou fortemente o militante pró-Roriz, o que em seguida se tornou um coro: ?morre, morre, morre?. De acordo com o secretário de Comunicação, ele próprio é usualmente chamado de ?negão? pelo governador e não se sente ofendido. ?A ofensa foi chamar ele (Nascimento) de petista?, acrescentou Moraes.Nascimento também será chamado a depor no STJ e deve dizer que não se sente ofendido nem quer processar Roriz. Segundo Brindeiro já afirmou, entretanto, isso não vai altera os fatos, uma vez que o crime de racismo é de ação pública, cabendo aoMinistério Público a iniciativa da denúncia. Para o procurador-geral da República, Roriz agiu neste e em outros episódios com ?o evidente intuito de exaltar os ânimos, promover o racismo, a intolerância política, o preconceito e até mesmo a radicalização das ações com o uso da violência?. Como exemplo, cita outro discurso, no qual Roriz afirmou que ?se há alguém aqui da cor vermelha, cuidado, pois corre risco de vida?.

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