Roque Barbiere confirmará denúncias ao MP

Em sua primeira entrevista após ter apontado um esquema de venda de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado estadual Roque Barbiere (PTB) diz que confirmará as denúncias no Conselho de Ética da Casa e ao Ministério Público. Segundo ele, empreiteiras "compram" dos deputados as emendas parlamentares e as oferecem aos prefeitos do interior.

AE, Agência Estado

03 de outubro de 2011 | 10h20

Barbiere disse não estar arrependido de ter feito as acusações, mas evitou dar nomes e disse que pode ter exagerado em alguns detalhes. "Pode ser que tenha errado na porcentagem, para cima ou para baixo, mas não errei ao fazer a denúncia", disse, ao se referir ao número de deputados que estariam envolvidos com o esquema de venda de emendas. Conforme mostrou à reportagem, ele envolveu 30% da Assembleia no esquema. O Ministério Público abriu inquérito para investigar o caso e quer mais detalhes.

"Eu cometi injustiça com parte da Casa, que não está envolvida nisso", disse, procurando inocentar todos os deputados de primeiro mandato. "Eles desconhecem o esquema ou não tiveram nem tempo de apresentar emendas. Posso ter errado na dose, mas a doença existe."

De acordo com o deputado, a decisão de fazer a denúncia surgiu depois de constatar que colegas estavam negociando as emendas orçamentárias e que, mesmo alertados, os deputados e o governo não reagiram. "Houve falta de princípios por parte deles, alertei-os dizendo que isso não daria certo. Fiz os alertas e não me atenderam", argumentou.

Segundo o deputado, a origem do esquema está na disputa pela presidência da Assembleia em 2005, quando Rodrigo Garcia (DEM), hoje secretário de Desenvolvimento Social do Estado, venceu o também secretário Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano). As emendas teriam entrado na negociação política.

"Nos governos anteriores não havia essa negociação com emendas. Elas surgiram dessa maneira, há sete anos como traição ao governo", afirmou Barbieri. Edson Aparecido era o candidato de Alckmin a presidente.

O deputado diz que seu objetivo é lutar pelo fim do sistema de emendas porque, além de servir para negociatas, o valor total (R$ 2 milhões) que cabe a cada deputado é insuficiente para atender o eleitorado. "Os recursos são insuficientes. No meu caso, por exemplo, se for distribuir para 50 prefeituras, vai ser R$ 40 mil, um valor muito baixo, a verba será insuficiente para uma boa obra. E, se distribuir só para algumas prefeituras, os outros prefeitos vão ficar enciumados porque receberam menos", explicou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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