Romaria do Bonfim atrai 150 mil fiéis

Os batuqueiros que não perdem uma festa de Salvador desta vez não apareceram, além das "baianas" iniciadas no candomblé, carregando os tradicionais vasos com água de cheiro. Mas a 14ª Romaria Penitencial do Bonfim, versão da Igreja Católica da famosa Lavagem do Bonfim, (realizada pelo adeptos do candomblé em janeiro) atraiu igual número de pessoas para louvar o santo mais popular da Bahia, Nosso Senhor do Bonfim.Segundo avaliação da Polícia Militar, perto de 150 mil fiéis participaram da festa organizada pela Arquidiocese de Salvador na manhã de hoje entre o Largo dos Mares até a Colina Sagrada, um percurso de quatro quilômetros.Criada no final da última década de 80 pelo ex-arcebispo de Salvador, Dom Lucas Moreira Neves como uma espécie de resposta dos católicos para a festa pagã da Lavagem do Bonfim, a Romaria Penitencial trocou o samba e a cerveja pela oração e pelas doações.Curiosamente, os trios elétricos que foram proibidos na Lavagem carnavalesca, participaram da romaria de hoje. Três trios animados por bandas católicas se incumbiram de puxar a multidão entoando músicas sacras.A festa começou com uma missa campal em frente à Igreja dos Mares, por volta das 8 da manhã, celebrada pelo cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil.Chovia muito no momento da celebração mas ninguém foi embora. Quando a procissão partiu dos Mares para o Bonfim, uma grande cruz de madeira foi carregada pelos fiéis na frente do cortejo.Doações - Padres de todas as paróquias ouviam confissões dos fiéis andando e no mesmo momento estipulavam a penitencia. Grupos de dizimistas recolhiam doações em dinheiro para o seminário de formação de padres da Arquidioceses e outros representantes da igreja recebiam doações de gêneros alimentícios para as Obras Sociais de Irmã Dulce e uma entidade que cuida de vítimas da aids. As doações chegaram a 3,5 toneladas de alimentos, que encheram três caminhões do Exército.Alguns representantes de paróquias de Salvador levaram faixas de protesto lembrando o tema da Campanha da Fraternidade que este ano apoia a luta dos índios. Carlos dos Prazeres, que carregava uma faixa com a frase "Índio: gente como a gente", lembrou que as tribos brasileiras chegaram quase à extinção "por causa da nossa omissão". Uma ambulância que seguiu a romaria atendeu dezenas de fiéis, (a maioria idosos) que se sentiram mal por causa do calor.Ao chegar no Largo do Bonfim por volta das 11 horas, Dom Geraldo rezou pela paz no Oriente Médio, orientou as pessoas a combater a dengue e abençoou a todos. "Estamos concluindo a romaria com a mesma fé que teu povo atravessou o deserto em busca da Terra Prometida", comparou o cardeal olhando para o céu, dirigindo-se a Deus, numa alusão à jornada do profeta Moisés no século 13 A.C. que conduziu os israelitas na saída do Egito.Para completar, enquanto as "baianas" lavam o adro da Igreja do Bonfim na festa de janeiro com água de cheiro, Dom Geraldo "lavou" simbolicamente os fiéis aspergindo água benta para as pessoas que se concentravam em frente à igreja.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.