Romaria da Terra reúne movimentos sociais em Registro

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Igreja Católica e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) esperam reunir cinco mil militantes de movimentos sociais na Romaria da Terra, que será realizada neste sábado, em Registro, no Vale do Ribeira, sul do Estado de São Paulo. Segundo a coordenação estadual, o MST vai deslocar caravanas de várias partes do Estado. O tema "Terra e Água, dons de Deus e direito de todos", será debatido durante as celebrações. O evento, surgido da estreita relação do movimento com os chamados setores progressitas da Igreja, está na oitava edição. No ano passado, foi realizado no município de Rosana, no Pontal do Paranapanema. A escolha da principal cidade do Vale do Ribeira para sediar a romaria este ano faz parte de uma estratégia do MST de abrir uma porta de entrada para sua militância na região sul do Estado. Até agora, o movimento deu pouca atenção à região, considerada a mais pobre de São Paulo. "O Vale do Ribeira tem muitas terras devolutas e posseiros, daí nosso interesse em fazer parceria com os movimentos sociais que atuam lá", disse o coordenador estadual Delweck Mateus. Ele citou como possíveis parceiros do MST o movimento dos atingidos pelas barragens e as associações de quilombolas. A região abriga 12 comunidades remanescentes de quilombos e duas aldeias indígenas. "Nossos interesses são comuns, como a defesa da agricultura familiar e o direito de uso da terra." Segundo o padre Vítor Roberto Hernandez Rodriguez, da Cúria Diocesana de Registro, as celebrações serão de cunho ecumênico, em defesa das culturas das comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas radicadas no Vale do Ribeira. "Vamos discutir a situação dessas pessoas sob o ponto de vista social, religioso e político."

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