André Dusek|Estadão
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Maia indica que terá pauta alinhada com o Planalto

Novo presidente da Câmara disse que espera aprovar até o final do ano a PEC que institui um teto para gastos públicos e também afirmou que dará continuidade a processo de cassação de Cunha em agosto

Isabela Bonfim, Julia Lindner e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2016 | 17h32

BRASÍLIA - Em seu primeiro dia na presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) demonstrou sintonia com a agenda do governo Michel Temer, principalmente a econômica, falou da necessidade de estreitar o diálogo entre Executivo e Legislativo e colocou entre as prioridades a reforma política. A proposta foi apresentada pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), o primeiro a ser recebido por Maia após ser eleito.

Aécio foi um dos responsáveis pela costura que resultou no apoio do bloco PSDB, DEM, PPS e PSB à candidatura de Maia. O novo presidente da Câmara derrotou o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), do Centrão, grupo formado por 13 partidos e ligado a Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo avaliações, a eleição de Maia é considerada o fortalecimento da gestão Temer frente ao Centrão. “A principal tarefa de Maia é a pacificação política”, disse Aécio.

Entre as prioridades, Maia prometeu votar a PEC do teto dos gastos públicos até o fim deste ano, proposta considerada prioritária para o ajuste fiscal. “Esse é um tema que interessa a todos os partidos, interessa ao Brasil, ao governo e à oposição”, disse. Ele afirmou que pedirá ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que acelere a tramitação da matéria. Após ser aprovado na CCJ, o projeto precisa passar por 11 sessões em comissão especial e, só então, segue para o plenário.

Sobre a reforma política, disse que, fora da pauta econômica, é “a agenda mais urgente”. “O sistema político faliu e a ideia do senador Aécio Neves vem em boa hora”, afirmou. De acordo com a proposta, as coligações proporcionais estariam proibidas a partir de 2020 e a cláusula de barreira também seria retomada, dificultando a atuação política de partidos médios e pequenos já nas eleições de 2018.

Atuação conjunta. À tarde, Maia visitou o presidente em exercício Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, citado por ele em seu discurso na tribuna da Câmara. Para o Planalto, a vitória de Maia é “sinônimo das boas relações com o Legislativo”. 

“Junto com Renan, temos a expectativa muito grande de que as duas Casas possam construir uma agenda de poucos itens, mas uma agenda com produtividade no andamento dos trabalhos no Congresso”, disse Maia sobre a parceria com o governo e com o Senado.

No gabinete da presidência da Câmara, Maia também recebeu deputados de diversos partidos. Nas reuniões, fez questão de sinalizar o trabalho que pretende realizar em conjunto com o governo e com o Senado.

Boa política. Renan também não poupou elogios ao novo presidente da Câmara. De acordo com o peemedebista, desde a vitória de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), em 2005, ele não esteve tão satisfeito com uma eleição para o comando dos deputados. “A vitória do Rodrigo Maia é uma demonstração sobeja de que a boa política não morreu. Está vivíssima”, disse o senador. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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