Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Rodeado por militares, Teich diz que é ‘o líder de um grupo’

Ministro da Saúde negou que nomeação de militares para a pasta seja interferência do governo

André Borges, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 19h12

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que a nomeação de militares para atuarem diretamente na cúpula do Ministério da Saúde não significa uma interferência direta do governo na pasta, mas uma resposta à necessidade de execução de trabalho em curto espaço de tempo e de forma organizada. 

“Eu sou o líder de um grupo que é composto por vários secretários. Meu papel é de liderança e de execução. Essa é a minha parte”, disse Teich. Foi um gesto de autodefesa. Apenas na gestão Teich, ao menos dez militares já receberam ou devem ganhar cargos na pasta.

Como informou o Estado nesta quarta-feira, 6, a equipe de Teich no ministério tem recebido nomes indicados pela ala militar para cargos estratégicos. As mudanças já começaram e vão se estender pelos próximos dias. Secretários estaduais e gestores do SUS estão chamando de “tutela” do Palácio do Planalto e da área militar, que já tem o secretário executivo, o general Eduardo Pazuello, “número 2” na hierarquia da pasta

“O secretário-executivo tem o papel de fazer as coisas acontecerem. Existem projetos, metas, ações e ele vai fazer com que isso aconteça da forma mais eficiente possível. Hoje um dos grandes problemas que a gente tem é velocidade, eficiência”, justificou Teich. “A vinda dos militares... O general Pazuello tem uma história de ter feito coisas grandes em execução, de fazer acontecer de forma rápida. A razão de ele estar ao meu lado não é porque ele é militar, é porque ele é competente nisso, é eficiente e tem um histórico de entrega.”

Nelson Teich disse que é preciso “evitar essa polarização se é um governo de militar ou não” e admitiu que mais nomeações de militares ocorrerão. “Os militares têm competências que são muito importantes, o planejamento do trabalho em equipe, uma coisa organizada, isso é importantíssimo”, comentou. “Em relação às pessoas que trabalham com ele (Pazuello), ele vai escolher. E a equipe que ele está acostumado a trabalhar são pessoas que ele conhece, que ele convive e são militares. Ele, naturalmente, vai trazer essas pessoas. É uma questão de eficiência e de ter que entregar rápido.”

Ao anunciar o ministro, o presidente Jair Bolsonaro chegou dizer que daria liberdade para o médico escolher parte da equipe, mas reconheceu que também indicaria nomes. “Ele vai nomear boas pessoas, eu vou indicar algumas pessoas também, porque é um ministério muito grande. Foram sugeridos nomes sim, para começar a formar um ministério que siga a orientação do presidente de ver o problema como um todo e não uma questão no particular”, afirmou o presidente em 16 de abril.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.