Roberto Romano: 'Saída não resolve crise, mas ajuda CPMF'

Para professor da Unicamp, licença de Renan deixa explícito que 'a ética no Senado está sendo negociada'

Gisele Silva, do estadao.com.br,

11 Outubro 2007 | 20h35

A crise do Senado não se resolve com o afastamento do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por 45 dias. A licença, no entanto, é decisiva para o governo conseguir a aprovação da CPMF. A avaliação é do professor titular de ética e filosofia política da Unicamp, Roberto Romano.  Caso o acordo para a saída de cena de Renan envolva o compromisso do PT e do governo para evitar a cassação do senador - que responde a outras quatro acusações -, Romano alerta que a operação é "muito arriscada". Mas uma possível cassação de Renan tornará a crise mais ampla, segundo sua análise, o que não interessa ao governo.  Veja também: Ouça áudio da entrevista com Roberto Romano Após 5 meses de pressão, Renan pede licença da presidência do SenadoOposição nega participar de acordãoLula negociou saída para salvar CPMFApós resistir, Renan deixa o cargo; Opine Renan deixa o Congresso; ouça o pronunciamento Íntegra do pronunciamento de Renan na TV Senado  Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Uma cassação de Renan, segundo ele, pode trazer um trauma muito grande no relacionamento do PMDB com o governo, sobretudo o "PMDB ligado a Renan". E citou a "rebelião" peemedebista no Senado que derrubou a secretaria de Mangabeira Unger e deu um susto no Planalto.  Romano prevê o início de esvaziamento do Conselho de Ética para livrar Renan de uma possível cassação. "Os representantes do PT e aliados vão ter que bombardear as sessões do Conselho de Ética". E completou: "Um compromisso arriscadíssimo". "Isso já chegou num ponto de apodrecimento que ficará evidentíssima uma violência", avalia.  "Se essa engenharia toda fosse feita há um mês e meio, as conseqüências não seriam tão dolorosas. Fica muito explícito que há um compromisso até a aprovação da CPMF. Fica explícito que a ética no Senado está sendo negociada, que o Conselho de Ética está sendo rifado", avalia.  "Agora se o PT fez isso (acordo para salvar o peemedebista) e não entregar a encomenda, como o Renan fez com eles. Aí ele (Renan) vai sair atirando", prevê. Romano compara as manobras no Senado a um jogo de xadrez: "Qualquer uma das jogadas, debaixo da pedra tem uma bomba. Agora resta saber qual bomba será menos letal para o governo para o Senado. Romano acredita que CPMF será aprovada com a saída de Renan e diz que o mandato tampão de Tião Viana - 1º vice-presidente que assumirá durante a licença do senador - "dará tempo inclusive para o PMDB se rearticular e estabelecer estratégias para a retomada da presidência do Senado". Segundo o professor da Unicamp, o governo calculou mal o risco da permanência de Renan no comando do Senado. "O cálculo inicial do governo foi que mantido Renan haveria condições de aprovar a CPMF. Ficou evidente que não. Renan vai muito além do tratado com o governo", afirma.  E citou como "desastre" o episódio da saída de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a suposta espionagem de dois senadores de Goiânia: "Ele foi muito além. Ele vai muito além do que seria conveniente para o governo". 

Mais conteúdo sobre:
RenanRoberto Romano

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.