Roberto Gurgel será o novo procurador-geral da República

Informação é de uma fonte ligada à Presidência da República; Gurgel deve substituir Antonio Fernando de Souza

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo,

29 de junho de 2009 | 20h09

O novo procurador-geral da República será Roberto Gurgel, segundo fonte ligada à Presidência da República. O nome foi definido nesta segunda-feira, 29, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não foi anunciado oficialmente. Gurgel era o candidato preferido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e era apoiado pelo ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza, de quem era vice.

 

Gurgel encabeçava a lista tríplice encaminhada ao presidente Lula pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Foi o nome mais votado entre os procuradores da República - 482 votos. Sua escolha deve perpetuar o perfil discreto de atuação do Ministério Público Federal, como ocorreu nos quatro anos do mandato de Antonio Fernando de Souza.

 

Com a escolha do primeiro colocado, Lula mantém a tradição de, desde o primeiro ano de seu governo, indicar o candidato mais votado pela categoria, mesmo não sendo constitucionalmente obrigado a isso. Para assumir o cargo, Gurgel ainda precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aprovado pelo plenário da Casa.

 

O segundo colocado na disputa interna, Wagner Gonçalves, mesmo tendo menos votos, tinha grandes chances de ser indicado. Tinha o apoio do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, do advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, e era visto como mais progressista por integrantes do governo. O perfil e os apoios, no entanto, não foram suficientes para desbancar Gurgel.

 

Perfil

 

Gurgel ocupará o cargo até 2011, podendo ser reconduzido pelo próximo presidente da República por mais dois anos. Ele exerceria também o cargo de procurador-geral nas eleições do ano que vem nos julgamentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a presidência do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

 

Gurgel entrou no Ministério Público em 1982. Como vice-procurador, já substituiu Antonio Fernando de Souza em vários julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE. Tem a vantagem, portanto, de já transitar bem entre os ministros das duas cortes.

 

Assim como o atual procurador, Gurgel já afirmou que não se deve esperar dele reações públicas radicais diante de críticas ao trabalho do Ministério Público, como as feitas recentemente pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, especialmente após a Operação Satiagraha da Polícia Federal. "Algumas vezes parece que se quer ouvir os gritos do Ministério Público. Jamais ouvirão os meus gritos. Ouvirão uma voz firme e serena", afirmou nesta semana em debate com outros cinco dos seis candidatos.

 

Em entrevista ao Estado, Gurgel afirmou considerar que as críticas recentes são uma "demonstração muito eloquente de que a instituição funciona bem" e por isso estaria incomodando "setores poderosos da sociedade".

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