Roberta, irmã de Pedrinho, foi registrada 16 anos após o nascimento

A polícia de Goiás está diante de um novo mistério em tornode Roberta Jamilly Martins Borges, irmã adotiva de Osvaldo Borges Júnior, o Pedrinho, sequestrado há 16 anos de uma maternidade de Brasília. Roberta só foi registrada em cartório, em 1997, 16 anos depois de seu nascimento. Segundo Guimar Costa, irmã de Vilma Martins Costa, mãe adotiva de Pedrinho e acusada de ter raptado o menino, a moça também não seria filha de Vilma.No registro de nascimento consta como pai de Roberta o fiscal derendas Osvaldo Borges ? pai adotivo de Pedrinho ? que morreu de câncer há quase dois meses. Entretanto, quando ela nasceu, em março de 1981, o fiscal ainda não tinha qualquer relacionamento com Vilma. ?Eles se conheceram entre 1984 e 1985?, conta Jorge Borges, filho mais velho de Osvaldo. ?Ele deve ter registrado para garantir a ela algum tipo de benefício, como plano de saúde.? Em uma gravação feita na polícia, Guiomar contou que Roberta havia sido ?arrumada? em Taquaral, uma pequena cidade de 3.500 habitantes, localizada a 80 quilômetros de Goiânia. No hospital São Francisco, o único da localidade, consta realmente o nascimento de uma criança do sexo feminino, filha de uma mãe de 26 anos. No entanto, a filiação do bebê é desconhecida. Na certidão de Roberta consta que Vilma, na época de seu nascimento, tinha 34 anos.No registro oficial de Roberta, feito em Goiânia, em 17 de fevereiro de 97, consta que ela nasceu em Itaguari, a 95 km da capital. O próprio padrasto de Vilma, Antônio da Silva, de 72 anos, revela que nunca a viu grávida. Ainda morando em Itaguari, ele diz que nem mesmo viu qualquer um dos netos ? com exceção de Pedrinho ? na primeira infância. Antônio, incusive, considerou estranho o fato de Vilma, já morando na capital, resolver ter filhos no interior, em local com condições de atendimento precário.RetaliaçãoPouco depois de a polícia do Distrito Federal ter revelado o depoimento de Sinfrônio Martins, irmão de Vilma, no qual eleconfirma ter sido ela a autora do sequestro de Pedrinho, a família da acusada se trancou em casa, no Jardim Europa, em Goiânia. O aparente sossego foi interrompido por um grupo de cerca de 40 crianças da Escola Municipal Jayme Câmara, que fica perto da residência. Eles se juntaram em frente da casa e passaram a chamar por Pedrinho, ou Júnior, além de Vilma, a quem qualificavam de ?mãe adotiva?.O transtornou durou cerca de 40 minutos, até policiais militares chegarem ao local. Roberta, que chamou uma patrulha, pediu à PM que mantivesse um guarnição nas imediações, já que a família temia retaliação das pessoas, como aconteceu com as crianças. Algumas delas, inclusive, chegaram a entrar na casa, que estava com o portão aberto.

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