RJ atrasa, mas pede R$ 5,7 mi à Funasa para dengue

A Fundação Nacional da Saúde (Funasa) ofereceu uma verba extra de R$ 5,7 milhões para o RJ reforçar o combate à dengue, mas a Secretaria de Saúde do Estado deixou passar o prazo para pedir o dinheiro. O repasse foi autorizado pelo governo federal em julho, para ajudar Estados com déficit de agentes de saúde a contratar servidores.Os Estados tiveram até o fim de outubro para requerer a verba, mas o RJ não encaminhou nenhum pedido, informa o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue da Funasa Giovanini Coelho. Da verba, uma parte, R$ 2,7 milhões, vem dos recursos que o ministério ofereceu no dia 24 de julho, em portaria sobre a dengue. Os R$ 3 milhões restantes foram liberados um pouco depois, como medida de emergência. Está prontoO coordenador de Combate à Dengue da Secretaria de Saúde do RJ, Clodoaldo Novaes, disse hoje que o pedido dos R$ 5,7 milhões ficou pronto ontem e já deve estar chegando à Funasa. "É difícil entender por que o RJ não correu para pegar o dinheiro, já que o Estado tem problemas graves no trabalho de prevenção", criticou Coelho. A capital fluminenses, que teve a maioria dos 250 mil casos de dengue do verão passado, tem um déficit de mil agentes. Hoje, a cidade tem 2.700 e precisaria de 3.700. E o pior: 2.000 dos 2.700 têm contratos temporários que vencem até o fim do ano. A Secretaria Municipal de Saúde diz que já começou a chamar 1.350 agentes, que fizeram um concurso público, para substituir os 2.000.Com isso, não é possível fazer o número de visitas a domicílio estipuladas pelo Ministério da Saúde. Na cidade do Rio os agentes deveriam ter visitado até agora 80% dos prédios, mas só conseguiram cobrir 55%, segundo Coelho. Além disso, o ministério determinou que os municípios façam seis ciclos de visitas anuais, o que significa que cada domicílio receberia um agente seis vezes por ano. Até agora, época do ano em que os municípios deveriam estar completando o quinto ciclo do ano, o Rio só fez dois.Outro indicador preocupante é o que mostra que a taxa de infestação do mosquito Aedes aegypti na cidade já está acima do considerado seguro e, em alguns bairros, esse índice cresceu em relação ao ano passado. A cidade registrava, em setembro, infestação média de 2,35%, mas o recomendável é que ela não ultrapasse 1%.O coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue afirma que, apesar de o prazo já ter vencido, o ministério continua aberto a apelos dos Estados que estão com dificuldades. O coordenador de Combate à Dengue da Secretaria de Saúde do RJ, Clodoaldo Novaes, disse que q demora em fazer a solicitação aconteceu porque os municípios precisaram verificar suas necessidades de agentes antes de finalizar a proposta. Outro fator que contribuiu para o atraso foi o descontentamento com a proposta inicial da Funasa de R$ 2,7 milhões. "O recurso não era suficiente, mas agora acho que com o aumento ele contempla as nossas necessidades reais", explicou. Novaes admitiu que os fatores de risco para uma nova epidemia existem, mas afirmou que pretende, a partir de dezembro enviar os 1.004 agentes do Estado para trabalhar no municípiodo Rio, o mais afetado na última epidemia e com maiores riscos de ter o problema.

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