Rivais vêem Alckmin sem discurso

Avaliação é de que tucano não poderá se apresentar ao eleitorado nem como situação nem como oposição

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2008 | 00h00

Antes de iniciada a campanha para eleger o futuro prefeito de São Paulo, o favoritismo está com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), lembrado por ter sido governador e candidato presidencial. Mas esse favoritismo estará à prova: ele não será situação, condição encarnada pelo atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), nem oposição, bandeira clara do PT e de sua provável candidata Marta Suplicy. O debate em torno de programas e realizações se dará entre Kassab e seu rival petista; será difícil para Alckmin, que até agora não apresentou idéias, inserir-se nele. E as críticas virão de todo lado."Alckmin terá um problema sério de posicionamento na campanha", opina o vereador José Américo, presidente municipal do PT, "porque não será nem situação nem oposição." Aliados de Kassab concordam. E dizem que a candidatura de Alckmin não é "natural" e será vista pelo eleitorado como "uma tentativa personalista" de retomar a carreira política. Kassab e o PT já listam temas de campanha e realizações que pretendem exibir ao eleitorado. O prefeito vai realçar suas qualidades de administrador e sua relação de lealdade com o governador José Serra. Vai falar da construção de 104 postos da Assistência Médica Ambulatorial (AMAs), de 25 CEUs (ante 21 da gestão Marta), do aperfeiçoamento do bilhete único e do aumento real para os professores e servidores da saúde. O PT vai atacar em três áreas que domina bem: transporte (para dizer que o sistema da gestão Marta era mais veloz e barato); educação (rememorando o projeto original dos CEUs e criticando o atual modelo); e os projetos sociais (com reedição do Renda Mínima e do Bolsa Aluguel). A idéia é forçar a polarização com Kassab.Alckmin, até aqui, falou pouco de seus possíveis planos. O deputado Edson Aparecido, seu fiel seguidor, informou que um deles será dotar São Paulo de mecanismos para enfrentar os problemas comuns às megacidades.Os adversários dizem que Alckmin deverá ter dificuldades para dar velocidade e consistência a sua campanha. Não poderá criticar e não deverá elogiar a atual gestão. Já as críticas do PT serão dirigidas à administração Kassab, que, por sua vez, se defenderá rebatendo-as. Esse aspecto, afirmam os dois lados, poderá produzir um fator de polarização entre Kassab e o candidato petista, excluindo Alckmin do debate.Os dois adversários registram o que rotulam como índices magros de Alckmin. Quando deixou o governo estadual, em abril de 2006, ele tinha uma avaliação de 66% de ótimo e bom, segundo o Datafolha. Depois, foi candidato presidencial e chegou ao segundo turno. Na última pesquisa do instituto, em fevereiro deste ano, sua preferência de voto marcou a taxa de 29%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.