Risco para a saúde de embalagem de PVC não está comprovado

Uma pesquisa divulgada há pouco mais de um mês pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está causando polêmica. O estudo constatou em algumas amostras de filme PVC a presença de até 54% da substância DEHP, quando o limite previsto na resolução 105 /99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 3%. De acordo com a pesquisa, um dos perigos é que a gordura presente em alimentos faça com que essa substância em excesso passe para o organismo, o que pode ser danoso à saúde. O PVC (policloreto de vinila) é um plástico muito utilizado pelas donas de casa para embalar alimentos, mas para que ele se torne flexível é necessário que as indústrias adicionem substâncias plastificantes. Entre os aditivos de uso permitido pela Anvisa está o DEHP.A polêmica teve início após a publicação de uma reportagem no jornal carioca O Dia. Baseada na pesquisa da Fiocruz, a matéria concluiu que as embalagens de PVC poderiam causar câncer ou infertilidade nos usuários.Entretanto, segundo a Agência Brasil, em audiência pública realizada ontem na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, o gerente da Anvisa, Lucas Medeiros Dantas, contestou a informação de que as embalagens causam câncer. Segundo ele, uma pesquisa feita pela Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, órgão ligado à Organização Mundial de Saúde (OMS), constatou que o DEHP foi classificado como cancerígeno apenas em ratos e camundongos, risco ainda nãoevidenciado para seres humanos. Por esse motivo, a Anvisa entende que não há necessidade de se fazer um alerta à população em relação à restrição ao uso do PVC. Dantas informou que a Agência irá avaliar as marcas que fazem adição de DEHP a mais do que o permitido, para posteriormentetomar as providências legais. Além disso, o órgão se reunirá com especialistas de universidades e institutos de pesquisa no dia 12 de julho para avaliar e recomendar restrições à presença de DEHA (outra substância semelhante presente nos plásticos)nos plásticos, da mesma forma do que já existe no Brasil sobre DEHP.

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