Risco de retorno do câncer de Lula é pequeno, dizem médicos

Nos próximos cinco anos, o ex-presidente terá que passar por exames periódicos

Daiene Cardoso, Agência Estado

28 de março de 2012 | 17h44

SÃO PAULO - Durante os próximos cinco anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de se submeter a exames periódicos para verificar a recorrência do câncer na laringe. Segundo médicos da equipe que trata o ex-presidente no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o risco de ressurgimento da doença ou metástase no organismo é pequeno para os pacientes que tiveram câncer na laringe. "O câncer na laringe dificilmente dá metástase, quando dá é nos gânglios (do pescoço). O risco dele é mínimo", garantiu um dos médico. Na manha desta quarta-feira, 28, uma ressonância nuclear magnética e uma laringoscopia comprovaram a remissão completa do tumor. "O futuro a Deus pertence, mas nossa expectativa é muito positiva. Ele está livre da doença e o risco (de retorno) é pequeno", reforçou outro médico.

Devido a essa pequena possibilidade, os próximos exames se concentrarão na região do pescoço e do tórax, este último em razão das chances de metástase no pulmão. Em meados de maio, quando completará 90 dias do término da radioterapia, Lula fará novamente a laringoscopia e um pet-ct, exame de imagem capaz de detectar sinais de câncer no corpo inteiro e alterações metabólicas no organismo. Este exame não foi realizado nesta quarta porque Lula ainda sofre de mucosite (inflamação da mucosa) e de inflamação na garganta - efeitos considerados comuns nos pacientes que fazem radioterapia.

A partir de julho, Lula passará por um nova laringoscopia e, a cada seis meses, fará ressonância magnética (com uma atenção especial à região do pescoço) e tomografia de tórax. Os médicos afirmam que a bateria de exames é fundamental para o monitoramento do paciente porque um exame complementa o outro. "Ele será acompanhado a cada dois ou três meses até o final do primeiro ano. Depois esse espaço fica um pouco mais elástico", disse um dos médico. O ex-presidente fará exames de imagem até completar o quinto ano do fim do tratamento, momento em que os médicos terão condições de confirmar se houve cura total da doença. "Ele tem tudo para não ter mais nada", avaliou o médico ouvido pela Agência Estado.

O especialista lembrou que o ex-presidente foi "um paciente exemplar" durante os cinco meses de tratamento. "Ele seguiu a risca tudo o que foi pedido", contou. De acordo com o médico, as reações sofridas durante o tratamento (mucosite, inflamação na garganta e até a pneumonia provocada pela baixa imunidade) já eram esperadas. "Ele teve todas as toxicidades esperadas. Não houve nada inesperado", ressaltou.

Lula recebeu a notícia do desaparecimento do tumor por volta das 10h e quase chorou diante da equipe médica. "Ele ficou com o olho marejado", contou um dos médico.

Tudo o que sabemos sobre:
Lulacâncermédicos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.