Risco de dengue é maior no interior e Baixada Santista

O epidemiologista Eduardo Costa, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), disse hoje que a Baixada Santista e o interior de São Paulo são áreas que reúnem "condições para uma epidemia explosiva" de dengue. Para ele, o risco de a doença se alastrar na capital é menor por causa da altitude mais alta e temperatura baixa."A expectativa de epidemia pode ser prevista de acordo com o passado. Quando o Aedes aegypti se disseminou no início do século 20, levando a epidemia de febre amarela, atingiu o Rio de Janeiro e depois o interior paulista", disse Eduardo Costa, que estuda a dengue há 21 anos, quando apareceram os primeiros casos da doença em Roraima. De acordo com o epidemiologista, São Paulo está mais exposto ao risco de epidemia depois do carnaval por causa das pessoas que viajaram ao Rio. "Quem esteve no Rio pode não ter adoecido, mas leva o vírus para a região em que vive", afirmou. O perigo é de essas pessoas serem picadas por Aedes aegypti que ainda não estejam contaminados pelo vírus da dengue, mas iniciar aí a disseminação da doença quando os mosquitos proliferarem. "Basta que o índice de infestação chegue a 2% das casas para iniciar uma epidemia", alertou Costa.Para o especialista, a "descoordenação" no combate à dengue é o mais preocupante desta epidemia. A solução, segundo Couto, é deixar o controle das ações a cargo da Defesa Civil Estadual. "Eles têm toda uma rede de comunicação. Um corpo técnico daria assessoria e a Defesa Civil gerenciaria os recursos e equipes", afirma. O epidemiologia acredita que de nada adianta a chegada de equipes das Forças Armadas e de voluntários se eles não estiverem sob o mesmo comando. "Tudo pode se tornar uma grande bagunça, dando margem a coisas absurdas", afirmou.Couto também discorda da proposta de quarentena para doentes de dengue a essa altura da epidemia. Ele lembra que o mosquito já está contaminado pelo vírus 3. "É preciso investir no combate às larvas nas casas das pessoas. É aí que deve estar concentrada a atenção das secretarias, e não no uso do inseticida", disse. Ele evitou comentar a criação da Agência Federal de Prevenção e Controle de Doenças. "Conheço agências reguladoras. Agências executivas são uma novidade para mim", disse.

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