Risco de apagão compromete indicação de Lobão a ministério

Empresários temem que indicação de um político para o ministério não resolva problemas energéticos do País

Leonardo Goy, de O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2008 | 19h56

A indicação de um político para o ministério de Minas e Energia no momento em que já se admite a possibilidade de um novo apagão elétrico no País preocupa empresários e associação de empresas do setor. Os empresários se tornam aliados da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que resiste ao critério político para a definição do novo ministro e para a troca de comando de postos chaves no setor elétrico, atualmente ocupados por pessoas de sua confiança.    Entre os empresários há os que defendem a efetivação de Nelson Hubner, que assumiu o ministério interinamente em maio do ano passado, quando Silas Rondeau foi afastado por denúncias de envolvimento com o escândalo de superfaturamento em obrar públicas comandado pela Construtora Gautama.   O momento é bastante delicado para o setor elétrico: baixo índice de chuvas e dificuldades no abastecimento de gás para as termoelétricas. Devido à pouca chuva no mês passado, os reservatórios das principais hidrelétricas estão baixos. A situação obrigou o governo a acionar todas as usinas termelétricas disponíveis. Mas o problema mostrou sua outra face, porque as termelétricas também têm sua capacidade de geração limitada pela escassez de gás natural.   É esse quadro que preocupa o setor privado. Há o temor de que um político- sem experiência e conhecimento técnico no setor- não consiga tomar as medidas preventivas necessárias para evitar um novo apagão no País. O momento, segundo esses empresários ouvidos pelo Estado, é de decisões técnicas, que não podem ser postergadas. Eles ponderam que uma troca de equipe provoca uma paralisação nas atividades do ministério por pelo menos seis meses, o que poderia ser fatal para o ritmo de crescimento da economia.   O ex-ministro de Minas e Energia e atual presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), José Jorge, defende uma definição para os postos no setor elétrico porque a prolongada interinidade de Nelson Hubner só contribuiu para gerar um ambiente de incerteza. "O setor elétrico está acéfalo, sendo dirigido por substitutos", disse Jorge. A mesma situação de interinidade, lembra Jorge, ocorre também na presidência da Eletrobrás e de outras companhias estatais do setor. "O substituto não está fixado no cargo e o poder de decisão dele fica limitado", disse.   O ex-ministro, no entanto, não é contra a indicação do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para a pasta. "Ele é um político experiente, vai depender da equipe que ele montar", afirmou. Segundo Jorge, ao se definir os ocupantes dos postos-chave do setor elétrico, a equipe passa a ter uma perspectiva de trabalho de três anos, até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Deixa de ser um interino, que está lá e que pode sair na semana que vem", afirmou.

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