Rio tem passeata por liberação da maconha

Uma passeata em defesa da liberação da maconha reuniu cerca de 60 pessoas na tarde deste domingo, na Praia de Ipanema, na zona sul do Rio. O número de participantes foi bem inferior à primeira manifestação, dois anos atrás, quando 500 pessoas caminharam da Praça Nossa Senhora da Paz ao Posto 9.Com cartazes e faixas, os manifestantes cobraram do governo a legalização da maconha e o direito de plantar a erva. "Acho que o movimento foi esvaziado porque hoje o usuário é acusado de financiar a violência do narcotráfico, e isso inibiu muito as pessoas, que não querem se expor. Mas por esse argumento, quem come no McDonald´s financia a guerra do Iraque e o terrorismo internacional", afirmou o psicólogo Luiz Paulo Guanabara.A ONG coordenada por Guanabara, a Psicotropicus, começou a organizar a passeata, mas deixou o movimento há um mês, depois que se acirrou a guerra na Rocinha. "Essa é uma passeata espontânea", afirmou.Durante a passeata, os manifestantes gritavam palavras de ordem, como "Ah-ah-ah! Eu quero é plantar", "Viva Marcelo Anthony", "Ô-ô-ô Garotinho é ditador". O grupo foi saudado por banhistas que estavam no Posto 9, mas não aderiram à passeata.Policiais militares disfarçados de repórteres acompanharam o trajeto de cerca de 500 metros. Eles chegaram a anotar nomes e fotografar os manifestantes, mas não houve incidentes. Ao contrário da passeata de 2002, não houve consumo de drogas. Todo a movimentação foi gravada por duas equipes de documentaristas.Manifestantes davam depoimentos sobre o movimento, experiência com drogas e repressão policial. Um jovem, estudante de Gastronomia, deu receitas culinárias com a erva.Uma estudantes de 17 anos contou que foi denunciada pela mãe para o Juizado de Menores, teve de se submeter a um ano de tratamento com psicólogas e assistentes sociais, mas nunca deixou de fumar maconha. "A abordagem ao jovem é totalmente equivocada. Elas agiam como se as minhas dificuldades de relacionamento com a família fossem por causa das drogas e não porque eu estava na ´aborrecência´", criticou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.