Rio tem mais de 50% dos casos de dengue, diz Negri

O ministro da Saúde, Barjas Negri, disse hoje que o Rio é o responsável pelo crescimento do número de casos de dengue no País e que, sem as estatísticas do Estado, o Brasil registraria queda da doença. "O Rio tem mais de 50% dos casos e, se somamos apenas os registros de vítimas em outras regiões, observamos um declínio da dengue no resto do Brasil", afirmou Negri, que esteve no Rio para lançar a megaoperação contra o mosquito Aedes Aegypti.Negri prevê que a epidemia que atinge o Estado do Rio sofra uma queda "drástica" nos 30 dias após o dia D contra o mosquito, marcado para o próximo sábado. "Tenho certeza de que, nesse período, conseguiremos conter o número de casos e não estamos medindo esforços ou gastos", afirmou. Segundo ele, ainda não há levantamento de quanto o ministério está gastando para conter a epidemia fluminense. No ano passado, o ministério gastou R$ 500 milhões com dengue em todo o País.MilitaresO ministro participou, na Vila Militar (Deodoro, zona norte), da cerimônia de início do trabalho de 1.300 militares do Exército e da Marinha que estão atuando como agentes sanitários, fazendo visitas a domicílios na capital e em cidades da Baixada Fluminense - as regiões campeãs em dengue. Pelas contas do ministro, os 2.300 homens (1.300 militares mais mil agentes da Fundação Nacional de Saúde que estão no Rio desde fevereiro reforçando o combate à dengue) serão capazes de, em 30 dias, visitar mais de 1 milhão de residências."Precisamos acelerar o combate e acho que esse reforço vai ajudar a parar essa epidemia. Mas é importante que essas ações continuem sendo feitas ao longo do ano."Depois de dar início à operação dos militares, Negri se reuniu com reitores e representantes de várias universidades fluminenses na Fundação Oswaldo Cruz. Ele pediu à comunidade acadêmica para que participe da luta contra a dengue, e disse que sua intenção "é conter a epidemia, mesmo sabendo que é muito difícil erradicar o mosquito".ContestaçãoSeu discurso foi contestado pelo professor de virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mauroli Cabral, que reagiu à declaração de Negri: "Ministro, não podemos começar uma guerra já dizendo que vamos perder. Se conseguimos erradicar o mosquito outras vezes, por que não podemos fazer de novo?"Os militares começaram a trabalhar hoje circulando por várias regiões da cidade como reforço para os agentes da Fundação Nacional da Saúde. No sábado, o ministro volta ao Rio para organizar o dia D. Negri quer reunir militares, agentes, voluntários para atuar em ações coordenadas e mobilizar a população para procurar focos do mosquito nas residências.O ministro participou ainda das primeiras visitas feitas pelos militares em casas dos bairros vizinhos à Vila Militar. "Eu já tinha recebido a visita de agentes sanitários, mas essa é especial. Tem até ministro", disse a dona-de-casa Josefa Antonia da Silva, que recebeu Negri em sua casa.

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