Rio Negro, uma cidade dividida

Som dos carros e o agito do comércio de Rio Negro e Mafra não escondem marcas do tempo da guerra

Leonencio Nossa e Celso Júnior,

11 de fevereiro de 2012 | 18h00

Uma fotografia guardada pelo Exército mostra o momento em que os carroções dos militares com armamentos e guarnições deixam Rio Negro para atingir a área do Contestado onde estavam os principais redutos dos jagunços, como Tavares, Aleixo e Santa Maria, o principal deles. Da imagem retratada na antiga fotografia restaram o rio Iguaçu e a ponte metálica construída na Bélgica.

 

A guerra alterou a vida de Rio Negro. Ao final do conflito, a cidade foi dividida entre paranaenses - que ficaram com as casas, comércios, praças, ruas e igrejas da margem esquerda do rio - e catarinenses - que ficaram com as da margem direita, onde foi instalado o município de Mafra.

 

O trânsito tumultuado na nova ponte de concreto construída ao lado da ponte metálica e nas ruas das duas cidades, o som dos carros e o agito do comércio de Rio Negro e Mafra não escondem marcas do tempo da guerra. Pedaços de uma cruz de madeira que a tradição popular atribui a São João Maria estão na praça de Mafra. Ali, num pequeno oratório, fiéis depositaram, nos últimos dias, papéis com orações ao santo. Moradores apontam para casas e comércios que pertenceram a pessoas envolvidas na repressão aos jagunços.

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