Rio intensifica preparativos para visita de Obama

Militares checam segurança e funcionários da prefeitura limpam entrada do Teatro Municipal, de onde o presidente americano deve fazer discurso neste domingo

Wilson Tosta, da Agência Estado

15 de março de 2011 | 19h14

Rio - A cinco dias do discurso que o presidente dos EUA, Barack Obama, dirigirá aos brasileiros na Cinelândia, no Rio de Janeiro, intensificaram-se os preparativos para recebê-lo no local. Cerca de 30 militares do Batalhão de Guarda e do 25º Batalhão de Infantaria Paraquedista do Exército estiveram nesta terça-feira, 15, na praça, em operação de checagem de segurança, enquanto faxineiros limpavam com vassouras e jatos d'água a entrada do Teatro Municipal - de onde o mandatário americano deverá falar.

Além disso, funcionários a serviço da Prefeitura do Rio tapavam buracos no calçamento de pedra em frente à Câmara Municipal. Servidores do Departamento de Estado americano também circulavam pela área. De resto, porém, a movimentação era a rotineira, com população de rua acomodada nos bancos e alguns militantes de esquerda - o local é tradicional ponto de mobilizações.

"Vamos vir aqui no domingo, mas não vai ser para bater palmas para o Obama não", disse Matilde Alexandre, militante da campanha "O petróleo tem que ser nosso", cuidando de uma solitária banca de publicações e camisetas alusivas a Cuba e a Che Guevara, 100 metros em frente ao teatro. Ela garantiu que um ato de protesto contra a "política imperialista" do visitante está sendo organizado, mas não quis dar detalhes sobre onde seria organizado. "A gente não pode falar onde é essa reunião, porque esse pessoal da CIA (agência de inteligência dos EUA) está aqui, é fogo", disse, olhando desconfiada para os americanos que, de óculos escuros, circulavam pela área. "Nossa soberania está em jogo", afirmou.

Também andou pela Praça Floriano, nome oficial da Cinelândia, quem queria apenas fazer piada: Reinaldo Gaudêncio, um sósia do presidente americano apareceu com "seguranças", e um calouro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), caracterizado como Capitão América, posou para fotos. O Teatro Municipal permaneceu cercado pelas grades que ganhou para proteção durante o carnaval (e que não impediram que uma de suas luminárias fosse destruída a pedradas), mas um funcionário informou que as estruturas seriam retiradas.

Discurso. Ainda não havia informação oficial, até o início da noite desta terça, sobre qual ponto exatamente discursará o presidente dos Estados Unidos. Uma área VIP, para 500 convidados, será organizada mais perto do ponto de onde ele falará. Também haverá área destinada à imprensa e tradução simultânea para o português. O trânsito da região será modificado, mas espera-se que sem consequências graves, porque o evento acontecerá em um domingo. O acesso será controlado: só entrará quem tiver identidade e não carregar nenhum objeto.

Entre autoridades locais envolvidas na preparação da viagem, ainda havia hoje alguma dose de incerteza com relação à agenda de Obama na cidade. Em princípio, o presidente americano começaria seu domingo com um passeio a partir de 9h30 ao Cristo Redentor - presumivelmente, com acesso restrito, já que a programação é considerada familiar, não de governo.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) e o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) encontrarão o presidente americano às 11h30 na Cidade de Deus e de novo vão se reunir a ele no evento da Cinelândia, às 15 horas. Faltavam, porém, muitos detalhes. Os locais de hospedagem da comitiva ainda não foram confirmados oficialmente, havendo possibilidade de serem usados os hotéis Sheraton São Conrado e Sheraton Barra da Tijuca.

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