Rio diploma primeiras mulheres maquinistas

As cinco primeiras mulheres habilitadas para a condução de trens do Rio de Janeiro foram diplomadas nesta manhã, na Central do Brasil. Depois de quatro meses e 700 horas de treinamento na Supervia - empresa concessionária do sistema ferroviário do Estado -, as maquinistas-júnior vão trabalhar manobrando trens de serviço, movidos a óleo diesel. Somente daqui a um ano elas poderão conduzir os trens elétricos que transportam passageiros. Até hoje, elas nunca pilotaram composições sem a companhia de um instrutor. Solange Fernandes, de 32 anos, Vanda Rodrigues, de 31 anos, Simone Nocetti, de 30 anos, Dulcinéia Pereira, de 21 anos, e Valéria Cerqueira, de 21 anos, disputaram 35 vagas com 204 homens e 19 outras mulheres para fazer o curso de maquinista. Apenas 32 alunos foram aprovados, todos com formação em eletrotécnica ou eletromecânica e registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). O salário das maquinistas não foi divulgado. Bem ensaiadas, elas foram unânimes em dizer que encaram a nova profissão como um "desafio". As maquinistas enviaram currículos para o cargo de técnico e só tiveram conhecimento da verdadeira função que ocupariam após uma entrevista. Todas disseram contar com o apoio da família. Vanda é a única com experiência no ramo. Por um ano e meio ela foi condutora no metrô do Rio, mas diz que a malha ferroviária exige mais dos maquinistas. "A malha é complexa e extensa. É preciso muita concentração e esforço", disse ela, que há sete anos possui carteira de motorista que lhe permite dirigir ônibus e caminhões. Dentre as cinco, Simone e Valéria são as únicas que não dirigem carros. Para se tornarem maquinistas, elas passaram por um rigoroso processo seletivo, que inclui testes psicológicos para avaliação de personalidade e aptidões. De quebra, tiveram que percorrer à pé os 220 quilômetros de linha férrea fluminense e aprender a fazer pequenos consertos nos trens, para casos de emergência. Solange contou que muitas mulheres dão manifestações de apoio quando as vêem conduzindo os trens. "Estamos abrindo mercado para muitas outras", observa. Durante dez anos, ela trabalhou na Schindler, fazendo reparos em elevadores. Valéria, que até então só tinha feito estágios na área de eletrotécnica, admitiu que muitos homens ficam assustados com as maquinistas. "Com o tempo eles se acostumam. E vão gostar", diz, sorridente. Na cabine de uma composição, ela afirma que a condução dos trens é simples, "sem mistério". "No começo dá um certo nervosismo. Depois você não quer mais largar".

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