Rio de Janeiro monta grande operação e ocupa Rocinha

Centenas de policiais e soldados apoiados por helicópteros ocuparam a maior favela do Rio de Janeiro neste domingo, na maior ação das autoridades até agora para melhorar a segurança e pôr fim ao reinado dos traficantes de drogas.

STUART GRUDGINGS, REUTERS

13 de novembro de 2011 | 12h40

A ocupação da Rocinha é vista por autoridades como parte crucial dos preparativos da cidade para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas dois anos depois.

As forças de segurança ocuparam 18 favelas nos últimos três anos, mas nenhuma tão grande ou estrategicamente importante quanto a Rocinha, que fica em um entroncamento para o tráfico entre a cidade e as áreas ocidentais, onde a maior parte dos eventos olímpicos será realizada.

Os soldados e a polícia não encontraram resistência dos narcotraficantes durante a invasão da Rocinha e da favela vizinha do Vidigal durante a madrugada.

A invasão foi tanto um evento midiático quanto uma operação militar, já que as autoridades anunciaram seus planos com antecedência, dando aos traficantes tempo para fugir.

Após anos vivendo com medo dos narcotraficantes e das ações geralmente violentas da polícia, os moradores estavam temerosos de aceitar a nova realidade.

"Estou esperançoso, mas eles precisam fazer muito mais. A comunidade precisa de saúde, educação e de outros serviços sociais depois disso," disse Wilson Aracanju, um pastor evangélico de 53 anos que assistia ao desenrolar dos acontecimentos de sua igreja.

Segundo a GloboNews, apenas uma pessoa foi detida durante a operação. Não houve relatos de vítimas durante a ocupação.

Acredita-se que a favela da Rocinha, lar de cerca de 100.000 pessoas e situada perto de algumas das áreas mais exclusivas e das melhores praias do Rio, seja o principal ponto de distribuição de drogas na segunda maior cidade brasileira.

No programa de "pacificação" das autoridades para as favelas, policiais treinados em relações comunitárias assumem a ocupação e autoridades da prefeitura fornecem serviços como centros de saúde e fornecimento de eletricidade, levando os moradores para a economia formal.

Autoridades dizem querer expandir o programa para todos os bastiões remanescentes dos traficantes até 2014, quando o Rio será uma das cidades a sediar a Copa do Mundo de futebol.

A maior parte das ocupações aconteceu em favelas próximas às regiões mais ricas da cidade, provocando críticas de que o programa tem por objetivo incentivar o boom imobiliário da cidade e os preparativos para os eventos esportivos. Favelas enormes em regiões mais distantes ainda são controladas por gangues ou grupos de milícia formados por ex-policiais e atiradores.

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