Rio de Janeiro avalia pedir ajuda a Cuba para conter dengue

Em São Paulo, foi confirmada nesta quarta-feira a primeira morte por dengue do ano

REUTERS,

02 de abril de 2008 | 13h40

O Rio de Janeiro pode pedir ajuda a Cuba para combater a epidemia de dengue no Estado caso as medidas que estão sendo tomadas, como a contratação emergencial de pediatras de outros Estados, não surtirem efeito, afirmou nesta quarta-feira o governador Sérgio Cabral Filho.   Acompanhe o avanço da dengue   "Até domingo eu e o secretário de Saúde estaremos avaliando (pedir ajuda), porque Cuba tem excelente tradição na área de saúde pública, de solidariedade com os povos que precisam de apoio", disse Cabral a jornalistas após evento no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, uma das áreas com maior número de casos de dengue na capital. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, rechaçou na quarta-feira o título de "ministro da dengue" usado pela oposição e afirmou que em anos eleitorais é difícil combater a doença no Brasil. "Existe uma lição que o Brasil já deveria ter aprendido e não aprendeu. Todos os anos que há disputa eleitoral nos municípios a guerra contra a dengue perde. Se desmobilizam programas, servidores e se faz politicagem menor com algo tão grave. Isso é um absurdo", afirmou Temporão a jornalistas, em Brasília. O ministro manifestou preocupação com o aumento de casos de dengue nos Estados de Rondônia, Pará, Amazonas, Rio Grande do Norte e Bahia. Em São Paulo, foi confirmada nesta quarta-feira a primeira morte por dengue do ano -- uma mulher de 18 anos, em fevereiro, no município de Praia Grande. Outras duas mortes estão sendo investigadas, uma em Barueri e outra em Osasco. As informações são da Secretaria Estadual de Saúde. No Rio de Janeiro, a doença já provocou a morte de ao menos 67 pessoas este ano, sendo que a metade das vítimas era criança. O Estado contabiliza mais de 43 mil casos da doença em 2008. Cabral acrescentou que os pediatras de outros Estados vão começar a chegar ao Rio no fim de semana, como 15 profissionais cedidos pelo Rio Grande do Sul. O déficit de pediatras na rede fluminense é de 154 médicos, de acordo com o governo. "Temos tendas de hidratação para serem inauguradas em vários pontos do Rio, mas não temos médicos", alertou Cabral. Os hospitais do município, Estado e governo federal estão lotados de pacientes com dengue e as filas de espera levam muitas horas. A procura pelos hospitais de campanha das Forças Armadas também tem sido intensa desde o início da semana, quando foram inaugurados. O Secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, ofereceu nesta quarta-feira os batalhões da Polícia Militar e delegacias da Polícia Civil para atendimento aos pacientes com dengue no Rio. A proposta de Beltrame é que hospitais e unidades de hidratação sejam montados nos pátios de batalhões e delegacias para dar vazão aos hospitais do Rio.

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