Rio ainda não está pronto para a dengue

Faltando pouco mais de dois meses para o início do verão, o Rio ainda não está pronto para enfrentar novas epidemias de dengue. Com déficit de mata-mosquitos, infestação do Aedes aegypti que supera os níveis aceitáveis e problemas de organização nas Secretarias de Saúde, o Estado corre o risco de ser surpreendido novamente pelo crescimento da doença, que, nos primeiros quatro meses deste ano, fez 250 mil vítimas, com 87 mortes. O alerta é feito pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Ministério da Saúde, e confirmado pelos responsáveis das secretarias municipal e estadual. "O Rio deveria estar com pressa porque os fatores que provocam uma epidemia estão presentes e muita coisa ainda precisa ser feita para que o Estado tenha condições de evitar a doença", diz o coordenador nacional de controle da dengue da Funasa, Giovanini Coelho. "De fato, os riscos existem porque ainda temos dificuldades sérias para resolver", admite Clodoaldo Novaes, responsável pelo combate à dengue da Secretaria de Saúde do Estado do Rio. Das dificuldades mencionadas por Novaes, a primeira é de pessoal. Só na capital, o déficit é de mil mata-mosquitos. A cidade tem cerca de 2.700, mas deveria ter 3.700, o que significa que milhões de domicílios não estão sendo visitados periodicamente, como prevê o plano de combate. No Estado, são necessários outros mil agentes para completar o quadro. Outro indicador de risco é a infestação do Aedes. As secretarias de Saúde argumentam que as taxas baixaram, quando comparadas com as do verão passado, mas as regiões mais afetadas pela epidemia anterior (capital e Baixada Fluminense) não podem ser consideradas seguras. O recomendável é que o índice não ultrapasse 1% (de cada cem domicílios, um tem o Aedes). Mas na capital a média é de 2% e, em alguns municípios da Baixada e em bairros cariocas da zona norte e do centro, é superior a 4%. Estatísticas - Existe ainda um problema adicional. Ninguém sabe ao certo se essas taxas que medem a presença do Aedes são corretas porque é grande o número de casas em que os agentes não conseguem entrar. Em alguns bairros da zona sul, de cada dez casas, os agentes só conseguem fazer seu trabalho em cinco. Essas "pendências" atrapalham o combate aos focos e ainda podem estar mascarando as estatísticas. Por fim, há a desorganização dos órgãos públicos. Na capital, a secretaria promete há meses contratar os mil mata-mosquitos que faltam. Mas o município ainda corre o risco de perder os atuais 2.700 agentes porque no próximo mês vencem os contratos com os cerca de 2 mil funcionários temporários. A Funasa argumenta ainda que o governo federal já disponibilizou verbas extras para a contratação de mata-mosquitos, mas poucos Estados entraram com pedido para usá-las. A outra deficiência do Estado apontada pela Funasa é a falta de preparação dos hospitais para receber vítimas da dengue. Pelo plano federal, o Estado se comprometeu a treinar e definir unidades de saúde que sejam referência para o tratamento de vítimas da doença, mas até agora não cumpriu o compromisso. Os governos estadual e municipal, porém, estão confiantes que a mobilização que será realizada no dia D contra a dengue (23 de novembro) vai conseguir acabar com qualquer possibilidade de crescimento do Aedes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.