Rinite alérgica é a vilã dos problemas respiratórios infantis

A rinite alérgica é a campeã dos problemas respiratórios infantis na capital paulista. Mudanças climáticas bruscas e poluição são os principais fatores que desencadeiam as crises. Esse é o primeiro resultado de um levantamento da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, em parceria com organizações não-governamentais e universidades. Os médicos querem saber quais são as principais doenças de nariz, ouvido e garganta que atacam crianças de 3 a 10 anos. É nessa idade que a incidência de doenças otorrinolaringológicas é maior, atingindo em torno de 20% das crianças. "As cavidades da face são pequenas e o sistema de autolimpeza delas ainda não funciona como deveria", explica o otorrinolaringologista Oswaldo Laércio Mendonça Cruz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos coordenadores do projeto. O sistema imunológico também está em desenvolvimento nessa idade, o que deixa a criança vulnerável a infecções. O levantamento, que começou pela cidade de São Paulo, será feito em capitais e municípios de todo o País. Itapevi, na Grande São Paulo, Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE) são as próximas. Na capital paulista, um grupo de 430 crianças foi avaliado: 53% delas sofriam de rinite alérgica. O aumento do tamanho de adenóides e amídalas (estruturas que ajudam a combater infecções), prejudicando a respiração, é o segundo problema mais comum e atinge 11% das crianças. A mesma porcentagem sofre de inflamação do ouvido. Em quarto lugar, estão as repetidas infecções de garganta: 9% das crianças tinham o problema. Apesar de as crianças avaliadas serem moradoras da periferia - Jardim Ângela e Jardim São Francisco (ambos na zona sul) -, os resultados são semelhantes ao atendimento em consultórios particulares. O que mais preocupa os médicos é o impacto dessas doenças no desenvolvimento infantil. "Com o nariz obstruído, a criança acaba respirando pela boca", alerta Cruz. A respiração errada prejudica os ossos da face e a arcada dentária, o que pode atrapalhar a deglutição e a fala. Para evitar complicações no desenvolvimento da criança, Danilo Sanches, da Sociedade de Pediatria de São Paulo, aconselha atenção dos pais à respiração dos filhos. "É preciso verificar se a criança dorme de boca aberta ou se ronca, pois são sinais de que a respiração está errada." Segundo Sanches, quanto mais cedo for a procura por ajuda médica, mais fácil será a correção. Os pais são os principais aliados na prevenção de doenças dos filhos. O combate da rinite é simples: casa arejada, limpa e sem carpete. No quarto da criança, é bom evitar cortina, tapetes e brinquedos de pelúcia. "Os pais não devem fumar no mesmo ambiente em que a criança está", orienta Jair Cortez Montovani, presidente do Departamento de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. "E, depois de fumar, devem lavar as mãos antes de pegar na criança."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.