Rinaldo De Lamare, autor de "A Vida do bebê", é enterrado

O corpo do pediatra Rinaldo De Lamare, autor do livro "A Vida do bebê", que já vendeu 6,5 milhões de cópias, foi enterrado hoje pela manhã no cemitério São João Batista, no Rio. De Lamare morreu de insuficiência respiratória, no domingo, aos 92 anos, um ano depois do lançamento da 41ª edição do livro, que ele atualizou, apesar dos problemas de saúde.O médico, apontado como mais importante pediatra do País, foi homenageado hoje por pacientes e amigos. "Era um homem sábio e muito dedicado. Você podia ligar para ele a qualquer hora, aflita, que ele ia ver a criança e dizia qual era a doença que ela tinha", disse Glória Sued, viúva do jornalista Ibrahim Sued. Seus dois filhos, Isabel, hoje com 40 anos, e Eduardo, de 39, foram pacientes de De Lamare. Isabel lembrou que a ida ao consultório era motivo de alegria. "Ele era carismático, simpático, o médico de que toda criança gostava. Ele nos ouvia, conversava."A dedicação de De Lamare irritava a filha Germana quando ela era criança. "Eu queria o meu pai só para mim", disse. Além de Germana, que é psiquiatra, De Lamare deixou ainda Maria Tereza, psicológa. Ela falou do legado do pai. "Ele foi muito criticado por se posicionar contra o liberalismo dos pais com as crianças. Hoje a gente vê esses jovens no mundo das drogas."Com 87 anos, a viúva de De Lamare, que também se chama Germana, não foi ao enterro. Ela ficou em casa com a neta Patrícia, que está grávida. A cantora Miucha, amiga da família, disse que "a mistura de firmeza e ternura era a fórmula rara de De Lamare". Amigos de mais de 40 anos, o deputado estadual Jamil Haddad (PSB), que é ortopedista, disse que o pediatra alertou as mães sobre os benefícios da vacinação. "Ele era respeitado internacionalmente. Orientava as mães para que as crianças tivessem uma infância saudável."O pediatra introduziu o tratamento à base de soro caseiro, feito apenas com uma colher de açúcar, uma de sal e água, receita até então desconhecida no Brasil. A deputada Alice Tamborindeguy (PSDB) disse que, em sua família, De Lamare atendeu a duas gerações. "Eu e minha irmã Narcisa éramos suas pacientes. Depois, passamos a levar nossas filhas. Ele via minha mãe me forçar a comer e a criticava, dizia que ela estava louca", disse. "Além de médico, era nosso amigo."De Lamare lançou "A vida do bebê" em 1941. O best seller - escrito num período em que ficou sem clientes por ainda não ser conhecido - traz informações sobre o bebê mês a mês, levando em conta o desenvolvimento físico e mental e o comportamento. Além disso, é possível encontrar tudo o que os pais precisam saber sobre vacinação, primeiros socorros, doenças infantis e também sobre o que fazer em casos de emergência. Bastante ativo, o médico acompanhou de perto a revisão da 41ª edição do livro. Ele decidiu atualizar o texto para atender às necessidades das mães modernas. Integrante honorário da Academia Nacional de Medicina e da American Academy of Pediatrics, De Lamare conseguiu reunir uma clientela bastante extensa. Somente no consultório de Copacabana, tinha 60 mil fichas de pacientes.

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