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Ricupero traça em livro histórico do sistema financeiro

Com o livro ?Esperança e Ação - a ONU e a busca de desenvolvimento mais justo", o embaixador Rubens Ricupero, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), consolida-se como uma voz brasileira no debate internacional sobre a reestruturação do sistema financeiro mundial. O debate das injustiças e distorções permitidas pelo Consenso de Washington já estão lhe rendendo o apelido de Stiglitz brasileiro, em referência ao ex-economista-chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz, que está tirando o sono do Fundo Monetário Internacional (FMI), com suas críticas ferozes à maneira como o organismo manejou as últimas crises financeiras.Na verdade, Ricupero tem um estilo diverso para atacar os problemas da globalização, muito menos agressivo que as acusações diretas de Stiglitz ao Fundo, que já se tornaram um bate-boca público com os dirigentes da instituição. Em tom mais diplomático, o brasileiro invoca até mesmo a perspectiva cristã na busca de alternativas para um sistema mundial que tem produzido tamanha desigualdade de desenvolvimento e violentas crises financeiras em países em desenvolvimento, como o Brasil. A crítica de Ricupero aos rumos tomados pela globalização, no entanto, não deixa de ser feroz.Em uma coletânea de conferências, entrevistas, textos inéditos e trabalhos produzidos na ONU, o ex-ministro da Fazenda relembra como se configurou o domínio do pensamento liberal de organismos financeiros, como o FMI, sobre discussões mais inclusivas para a estruturação do sistema mundial que havia em outros fóruns, como a própria Unctad, onde Ricupero trabalha há sete anos. As reflexões sobre os problemas de desenvolvimento abordam desde a herança brasileira da escravidão até o Plano Real e a atualíssima crise de confiança e aperto de crédito mundial, agravada pelos atentados de 11 de setembro, que tende a fazer do Brasil uma das "possíveis vítimas das conseqüências econômicas colaterais da deterioração mundial".O embaixador compara as medidas extremamente estimulantes para a economia tomadas pelos países ricos após os atentados, como injeção de liquidez e corte de impostos, aos métodos recessivos usados pelos organismos financeiros para tentar estancar crises em países emergentes. Aponta a rara situação de estagnação econômica simultânea entre os três grandes blocos - Japão, Europa e Estados Unidos - e discute a incerteza que ela gera para os rumos da economia mundial.Subintitulado "um depoimento pessoal", o texto de Ricupero é coloquial o suficiente para qualquer leitor que queria entender melhor como o Brasil e o mundo chegaram ao sistema financeiro atual, moderno em tantos aspectos, e entretanto capaz de produzir crises violentas que minam o desenvolvimento dos países periféricos. Em tempos em que conceitos técnicos financeiros como o risco país se popularizaram como sinônimos de más notícias no Brasil, o livro de Ricupero chega em boa hora.

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