Richa vence em Curitiba com 77% dos votos

Prefeito tucano sai fortalecido para disputar o governo do Paraná

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

A vitória de Beto Richa, de 43 anos, para um segundo mandato na Prefeitura de Curitiba dá início à discussão sobre a sucessão no governo do Estado em 2010. O prefeito reeleito deixou no ar a possibilidade de estar nessa disputa. "Eu coloquei já desde o ano passado que seria candidato à reeleição se a população de Curitiba apontasse que eu deveria dar continuidade ao mandato através de pesquisa de opinião pública. Atendi a essa convocação e fui candidato, sei que é um mandato de quatro anos e ele pertence às pessoas que me elegeram." Com 77,27% dos votos válidos (778.514 votos), ele sai das urnas com força para concorrer ao Palácio Iguaçu. Mas a prudência adotada nas entrevistas deve-se também à intenção dos dirigentes dos 11 partidos da coligação Curitiba O Trabalho Continua (PSDB, PDT, PPS, PSB, DEM, PSL, PTN, PP, PR, PRP e PSDC) de manter a unidade. Entre os pretendentes à candidatura a governador está o senador Osmar Dias (PDT) e, no ninho dos tucanos, o senador Álvaro Dias. "Graças a Deus não sofro desse mal que acomete toda a classe política que é a ansiedade, projetos já futuros, pulando etapas que temos de vencer obrigatoriamente. Eu faço política com muita tranqüilidade", afirmou Richa. A candidata da coligação Curitiba Para Todos (PT, PHS, PSC, PTC, PRB e PMN), Gleisi Hoffmann, apesar da derrota, é um dos principais nomes do PT para a disputa. Ela recebeu 18,17% dos votos (183.027 votos). Nas próximas eleições para o governo do Estado, o partido não quer abrir mão de apresentar um candidato. Além de Gleisi, surgem os nomes de seu marido, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e do diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Jorge Samek. Gleisi justificou a vitória de Richa em razão da boa avaliação que a população fez do prefeito, da boa imagem que a prefeitura de Curitiba tem e da conjuntura econômica e política nacional, "que leva quem está no poder a ser beneficiado".A oposição a Richa teve dificuldades de levar as eleições para o segundo turno em Curitiba também por causa da fragilidade dos outros candidatos, sobretudo o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Moreira (PMDB), que conseguiu apenas 1,9% (19.157 votos), ficando na terceira colocação. Indicado pelo governador Roberto Requião, ele não teve apoio mais firme nem mesmo do governador, que preferiu percorrer municípios de médio e pequeno portes no Estado."O PMDB vai fazer a grande maioria dos prefeitos municipais, e isso é muito bom", destacou Requião na manhã de ontem. Com isso, espera alicerçar o terreno para sua sucessão. O mais provável é que o candidato seja o atual vice-governador, Orlando Pessuti. Sobre o baixo desempenho de Moreira, o governador preferiu culpar a imprensa. "A mídia toda fechou com Beto Richa", justificou.Entre os demais candidatos, Maurício Furtado (PV) ficou na quarta colocação, com 0,88% dos votos (8.906 votos). Ricardo Gomyde (PCdoB) conseguiu 0,71% (7.187 votos), seguido de Fábio Camargo, da coligação Uma Só Curitiba (PTB e PRTB), com 0,53% (5.366 votos), Bruno Meirinho, da Frente de Esquerdas Curitiba (PSOL, PCB e PSTU), com 0,44% (4.464 votos), e Lauro Rodrigues (PTdoB), com 0,09% (888 votos). Votos Brancos somaram 2,17% (23.181) e nulos, 3,55%% (37.923). Houve 14,84% de abstenções (186.163 votos).O engenheiro civil Beto Richa, filho do ex-governador e ex-prefeito de Londrina José Richa, entrou no Executivo curitibano em 2000, ao se eleger vice-prefeito na chapa encabeçada por Cássio Taniguchi, então no PFL. Ele faz parte do mesmo grupo do ex-governador Jaime Lerner, que se mantém no poder municipal desde 1989. "A população deu uma demonstração de generosidade para conosco, e isso aumenta bastante minha responsabilidade de retribuir essa alta confiança com mais trabalho, empenho e muita seriedade."Com a força adquirida nas urnas, o prefeito reeleito também se colocou à disposição para participar de campanhas de segundo turno em apoio a candidatos do PSDB e partidos aliados. "Se for convidado e puder ser útil, estarei não apenas no Paraná, mas em outros lugares."

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