Richa pede investigação sobre contas de campanha

O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), foi ontem ao Ministério Público Eleitoral pedir para ser investigado, em razão das denúncias de que teria havido caixa 2 em sua campanha eleitoral no ano passado. "Vim pedir ao Ministério Público que me investigue. Não apenas a minha campanha, que investigue a minha administração, que tem sido pautada pela ética, pela transparência, extremo rigor e austeridade na aplicação dos recursos públicos e, evidentemente, isso tem incomodado meus adversários", disse.Richa afirmou que já havia sido informado sobre a denúncia antes de ela vir à tona. Trata-se de um vídeo, divulgado na segunda-feira, que mostra candidatos a vereador pelo PRTB supostamente recebendo dinheiro em troca de apoio. "Os ataques viriam em direção à minha honra, tentando macular a minha imagem. Fizeram o que tinham anunciado", contou. O procurador regional eleitoral, Néviton Guedes, disse que ainda vai analisar os documentos entregues por Rodrigo Oriente, autor da denúncia, mas deve pedir, em dois dias, que a Polícia Federal instaure inquérito policial. "Vou pedir que produza uma perícia em todas as fitas para verificar a autenticidade do material apresentado", destacou. Guedes ressaltou que pretende encerrar a investigação o mais rápido possível. "Ela ganhou uma conotação política que não é do interesse do Ministério Público. Nosso interesse é a apuração dos fatos", acentuou o procurador.DENÚNCIASOntem, Beto Richa exonerou mais três pessoas que aparecem no vídeo. Na semana passada, outras três servidores já tinham perdido os cargos. Outros dois, que são funcionários concursados, foram privados da função gratificada. "Quero ver ele demitir gente grande envolvida", reagiu Rodrigo Oriente, que já foi detentor de cargo de confiança na prefeitura.Oriente sustentou que o interesse da denúncia é receber uma dívida de R$ 47 mil de Alexandre Gardolinski, coordenador do Comitê Lealdade, formado por candidatos do PRTB, que tinham rompido a aliança com o PTB e pretendiam apoiar Richa. Alguns desses candidatos aparecem no vídeo recebendo dinheiro. Recibos teriam sido falsificados para justificar os pagamentos. Oriente disse ainda que o comitê gastou mais de R$ 134 mil, dos quais R$ 47 mil foram emprestados por ele. "Esses recursos (R$ 47 mil) não foram contabilizados, porque fui eu quem paguei e não há recibo eleitoral", acentuou. Segundo ele, ao Tribunal Regional Eleitoral foram comprovadas despesas de apenas R$ 1,5 mil, referentes à cessão de uso do imóvel para o comitê. A coordenação oficial da campanha afirmou, em entrevista na segunda-feira, que o comitê do partido era independente.

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