Richa diz que não basta ser amigo do presidente para ter recursos

O objetivo foi neutralizar um dos argumentos utilizados por Osmar Dias nos quais destacou afinidade com Lula

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 15h24

CURITIBA - O candidato ao governo do Paraná pelo PSDB, Beto Richa, tentou mostrar, no horário eleitoral gratuito da tarde desta sexta-feira, 17, que a amizade entre governantes nem sempre representa mais recursos. O objetivo foi neutralizar um dos argumentos utilizados pelo principal adversário, o candidato do PDT, Osmar Dias, que tem destacado sua amizade e afinidade administrativa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

 

"Para garantir os recursos não basta ser amigo do presidente, porque hoje todo mundo é amigo do presidente. É preciso ter projetos", afirmou Richa.

 

Segundo ele, há quatro anos a prefeitura de Paranavaí, no noroeste do Paraná, que é aliada do governo estadual e do governo federal, doou terreno para a construção de mais de 200 casas, mas as verbas não estariam chegando. "É assim em todo o Paraná. De cada dez obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) apenas uma está andando", afirmou.

 

De outro lado, acentuou que, em Curitiba, foram feitas 30 mil casas com diferentes fundos de financiamentos. "Isso, claro, sem contar com nosso grande parceiro, inclusive aqui no Parolin (bairro de Curitiba), o governo federal", elogiou. "E por que o governo federal confia tanto nos nossos projetos? Porque são projetos profissionais, feitos para beneficiar as pessoas e proteger o meio ambiente, porque não são fantasias." O programa contou ainda com a participação do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). "Para mim, (Richa) é o mais completo homem público da minha geração", atestou o ex-governador.

 

Dias, por seu lado, apresentou mais um trecho de diálogo entre ele e Lula. Mas, desta vez, o presidente apenas ouviu elogios do candidato. Ele lembrou história de uma moça que teria se encontrado com Lula em Curitiba e dito que até os 12 anos era menina de rua, mas agora, em razão do Prouni, estava cursando Psicologia. "Sabe o que aconteceu, o presidente da República do Brasil chorou porque viu que ali estava uma das suas grandes obras", disse Dias. "Presidente, o senhor me emocionou naquele dia e outras vezes também porque você governa o País com o coração e com muita inteligência e me ensinou isso."

 

No programa, Dias também apareceu em conversa com jovens, que lhe fizeram questionamentos. Um deles queria saber o que o candidato fará com a questão do lixo de Curitiba, caso eleito. Dias aproveitou para repetir crítica que tem feito a Richa, por ele deixar a administração de Curitiba a fim de ser candidato. "Primeiro, não vou prometer e deixar pela metade porque não faço nada pela metade", disse. "A usina de reciclagem é a tecnologia mais moderna que existe e nós vamos resolver o problema do lixo de Curitiba desta forma, não com esse aterro que já está esgotado e ultrapassado."

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