Ricardo Saadi é novo diretor do Departamento de Recuperação de Ativos

Alvo de ingerências políticas na gestão do ex-secretário Romeu Tuma Júnior, o órgão estava acéfalo nos últimos dois anos e teve sua atuação prejudicada

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

19 Julho 2010 | 11h05

BRASÍLIA - O delegado Ricardo Andrade Saadi, da Polícia Federal, coordenador da força-tarefa encarregada de refazer o inquérito da operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, é o novo diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI). O secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, informou ter feito o convite e hoje pela manhã Saadi confirmou ao Estado ter aceito.

 

Alvo de ingerências políticas na gestão do ex-secretário Romeu Tuma Júnior, o órgão estava acéfalo nos últimos dois anos e teve sua atuação prejudicada. Tuma Júnior foi afastado do cargo em junho, após uma série de reportagens publicadas no Estado, sobre as relações dele com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, preso por ligações com máfia chinesa que atua em São Paulo.

 

Ricardo Saadi, de 34 anos, é sobrinho do ex-superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saadi, e faz parte da nova geração de ponta da corporação. Especialista em crimes financeiros, participou nos últimos anos das principais operações de combate à lavagem de dinheiro. Em 2008, comandou a operação que resultou na prisão do traficante colombiano Juan Carlos Abadía, extraditado no ano passado para os Estados Unidos.

 

Em 2009, chefiou também a Operação Santa Teresa, que investigou desvios de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que levou nove pessoas à prisão. O inquérito rendeu ainda processo de cassação, mais tarde arquivado, contra o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), acusado de quebra do decoro.

 

Entre as missões de Saadi no DRCI está a repatriação de US$ 3 bilhões apreendidos no exterior, dinheiro oriundo da corrupção, narcotráfico e sonegação de impostos, remetido ilegalmente do Brasil. Ele deve também contribuir na elaboração de uma política de Estado de combate à lavagem de dinheiro que o Ministério da Justiça pretende deixar de legado ao futuro presidente da República. Saadi chega a Brasília nesta quarta-feira para cuidar dos trâmites de sua liberação da PF.

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