Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ricardo Pessoa será ouvido em inquérito contra Gleisi Hoffmann

Empreiteiro e delator da Lava Jato vai depor na Polícia Federal em São Paulo no próximo dia 8

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2015 | 20h31

Atualizado às 23h02

Brasília - O juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato no Paraná, autorizou o deslocamento do empreiteiro Ricardo Pessoa para que ele seja ouvido pela Polícia Federal em São Paulo em inquérito do qual a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) é alvo. 

Pessoa, que é dono da UTC Engenharia e um dos delatores da Lava Jato, será ouvido pela Polícia Federal em São Paulo no próximo dia 8 para esclarecer se a senadora e ex-ministra foi beneficiária do esquema responsável por desviar bilhões da Petrobrás. Em acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Pessoa diz ter dado R$ 3,6 milhões como "caixa 2" a tesoureiros petistas.

A oitiva de Pessoa já havia sido autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), em maio. O magistrado já autorizou que sejam ouvidos no inquérito contra a petista Ronaldo Balthazar, tesoureiro da campanha de Gleisi; Marcelo Odebrecht (Odebrecht); José Agusto Zaniratti (coordenador da campanha); João Auler (presidente do Conselho da Camargo Correa); e José Aldemário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro, da OAS, além do "mensageiro" do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo, que também firmou acordo de delação com o Ministério Público. 

Marcelo Odebrecht, que está preso pela Operação Lava Jato, já foi ouvido pela PF em maio para prestar esclarecimentos que envolvem a senadora. Gleisi disse ainda que também entrou em contato diretamente com Marcelo para pedir doações à sua campanha de 2010.

Gleisi é alvo de inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal em março depois de ter sido citada por pelo menos dois delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Ambos disseram a investigadores que atuaram para que a então candidata ao senado recebesse R$ 1 milhão para financiar sua campanha de recursos provenientes de desvios da estatal. 

Costa disse ter sido procurador por Youssef para "ajudar" a campanha da petista com R$ 1 milhão. O pedido foi confirmado posteriormente pelo doleiro, também em depoimento a investigadores da Lava Jato. A senadora, contudo, nega as acusações. Ela disse ainda à PF que o dinheiro recebido da Odebrecht, UTC e de outras empreiteiras investigadas é fruto de doações legais, devidamente registradas no TSE.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.