Divulgação/Ag. Câmara
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Ricardo Pessoa diz que não responderá deputados na CPI da Petrobrás

Dono da UTC e delator da Lava Jato, contudo, aproveitou ida à comissão para fazer uma apresentação de sua empresa e afirmar que o problema não é a estatal, mas 'as pessoas'

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2015 | 15h28

Brasília - O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou à CPI da Petrobrás nesta terça-feira, 15, que ficará em silêncio na sessão da comissão para ouvi-lo nesta tarde. Ele afirmou ainda que o episódio da corrupção na estatal "é uma distorção que envergonha a todos  a mim em particular" e que o problema não é a Petrobrás, mas "as pessoas". Apesar de afirmar que não responderia as questões dos deputados, o empreiteiro aproveitou sua ida à comissão para realizar uma apresentação sobre a história da UTC.

A defesa do empresário, delator da Operação Lava Jato, havia pedido para que a participação dele ocorresse em sessão fechada, mas o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), optou por manter a audiência pública. 

O executivo citou que a UTC faz parte do consórcio da linha 6 do Metrô de São Paulo e do consórcio que administra o Aeroporto de Viracopos. “Muitas notícias tratam a UTC como uma empresa desconhecida, como se tivéssemos surgido de uma hora para outra. Isso é falta de informação. Estamos há 40 anos no setor de petróleo e gás, presente em dez das 11 refinarias do Brasil”, afirmou. “A UTC não se construiu sobre atos ilícitos. As pessoas que trabalham na UTC são honestas e não têm responsabilidade sobre meus atos”, completou.

Pessoa disse que colaborou espontaneamente com as autoridades na delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato e disse não querer protagonizar “um papel de herói”. O empresário alegou que “aceitou o jogo” por receito de que empresa ficasse de fora dos contratos da Petrobrás. “Os números apresentados pelos investigadores mostram a dimensão que o esquema (de corrupção) na Petrobrás alcançou”, disse. “O medo iguala a vítima ao algoz”, completou. 

O empresário voltou a admitir que escolheu “o caminho errado”. “O problema não é a Petrobrás, o problema são as pessoas. Esse episódio é uma distorção que envergonha a todos e a mim em particular”, alegou. Ainda assim, Pessoa adiantou que se manterá em silêncio durante toda a sessão da CPI. “Se eu falar sobre temas sigilosos, coloco em risco a minha delação. Por isso, todas as perguntas, adotarei o silêncio que a Constituição me assegura”, completou.

Mesmo diante da possibilidade, levantada pelo presidente da CPI, de transformar a sessão em uma reunião fechada, o empresário manteve a intenção de permanecer calado.

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