Marcos Bezerra/Futura Press
Marcos Bezerra/Futura Press

Ricardo Pessoa deve ficar em silêncio em depoimento à Justiça Eleitoral

Dono da construtora UTC será ouvido na próxima terça-feira como testemunha em ação pedida pelo PSDB sobre contas de campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 13h37

BRASÍLIA - O empreiteiro Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação Lava Jato, permanecerá em silêncio em depoimento marcado para o próximo dia 14, no processo sobre supostas irregularidades na campanha de 2014 que reelegeu Dilma Rousseff presidente da República.

De acordo com duas fontes consultadas pelo Estado, o empreiteiro permanecerá em silêncio por estar impedido de prestar depoimentos na condição de testemunha até que seja retirado o sigilo da delação firmada por ele em maio com o Ministério Público Federal. O acordo foi homologado no fim de junho pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas permanece sob sigilo. O impedimento também fez com que fosse adiado um outro depoimento de Pessoa, agendado para a última quarta, 8, na Polícia Federal em São Paulo. Na ocasião, Pessoa prestaria esclarecimentos à PF sobre supostas irregularidades nas doações à campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que é investigada na Lava Jato.

O ministro Celso de Mello, que está a cargo do plantão do STF, autorizou ontem o deslocamento de Pessoa para depor como testemunha na ação de investigação eleitoral da qual a campanha da presidente Dilma Rousseff é alvo. O depoimento está marcado para a próxima terça-feira no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. 

A oitiva do empreiteiro, que é considerado o "chefe" do clube VIP das empreiteiras investigadas no esquema de desvios da Petrobrás, foi autorizada em junho pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, o ministro João Otávio de Noronha, relator da investigação eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido para que o delator seja ouvido na investigação partiu do PSDB, que é autor da ação no TSE para apurar se houve abuso de poder político e econômico na campanha que reelegeu a presidente no ano passado. Pessoa foi citado por outro delator, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que já prestou esclarecimentos na investigação eleitoral.

Cassação. A ação de investigação apura suposta prática de "abuso do poder econômico e político" e a "obtenção de recursos de forma ilícita" pela coligação da presidente. Se o tribunal entender que a ação é procedente, isso pode eventualmente resultar na cassação do diploma de Dilma. 

A coligação liderada pelo PT tentou recursos para impedir a oitiva do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa na mesma ação. Com a realização dos depoimentos, o pedido foi repetido agora no caso de Pessoa e rejeitado pelo TSE. 

O dono da UTC entregou aos investigadores uma planilha intitulada "pagamentos ao PT por caixa dois" que relaciona os ex-tesoureiros a valores. São citados, por exemplo, os ministros da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, hoje preso na Lava Jato. 

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