Ribeirinhos discutem uso de recursos naturais no Amazonas

Reunião com representantes de 30 comunidades da região quer definir regras para uso racional do pescado

Agência Brasil,

22 de abril de 2008 | 16h56

Representantes de 30 comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus iniciaram nesta terça-feira, 22, um ciclo de cinco reuniões que contarão com a participação do poder público municipal e estadual, a fim de discutir o zoneamento da região e, com isso, definir as regras para o uso racional dos recursos naturais, sobretudo o pescado.  A reserva existe desde 2003, está localizada em área central do Estado, perto dos municípios de Beruri, Anori, Tapauá e Coari, e tem cerca de 800 mil hectares. A expectativa é de aproximadamente 2 mil pessoas participem das reuniões.  De acordo com Gelson Batista, especialista em manejo de recursos pesqueiros, a preocupação com o uso racional dos recursos naturais da reserva "é acentuada nesta época do ano, quando a região é 'invadida' por pescadores comerciais que podem desconhecer ou desrespeitar os períodos de reprodução e desova dos peixes lá existentes, como jaraqui e matrinxã".  As reuniões, explicou, buscarão viabilizar, a médio e longo prazo, a definição de um plano oficial que deverá ser validado pelo governo estadual: "Só assim é possível impedir a ação irregular na área da reserva. Com esse documento, as áreas de preservação estarão bem definidas, bem como onde podem ocorrer a pesca de subsistência e a comercial, por exemplo."  Um dos responsáveis pela reunião, o engenheiro de pesca José Gurgel, do Instituto Piagaçu - organização não-governamental que atua na reserva buscando aliar o saber tradicional aos conhecimentos técnicos para o desenvolvimento sustentável - explica que o objetivo é consolidar o plano de gestão, levando em consideração o diagnóstico da situação realizado pelo instituto com o apoio das colônias de pescadores.   

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