Revolta com a violência é da classe média, diz secretário

O secretário de Estado de Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, disse que a revolta da população brasileira em relação à violência foi ?da classe média?. ?Na verdade, a elite brasileira pouco se lixa com a mortandade nas classes populares", disse Pinheiro. "Quem morre no Brasil não somos nós, os brancos, a elite cheirosa, como falava o Darcy Ribeiro, mas a massa dos homicídios na periferia de São Paulo ou no Rio de Janeiro acontece nos bairros populares, onde as pessoas são vítimas e algozes ao mesmo tempo."Segundo ele, é preciso se qualificar "onde se morre" no Brasil. "Se morre onde há privação de direitos, onde há privação de acesso à Justiça etc".Segundo Pinheiro, ao longo dos últimos vinte anos, "o clamor publico é sazonal". "No verão sempre aumentam as mortes, aumenta o clamor público".Ele afirmou que, como houve intensificação de alguns crimes que atingiram a classe média, alguns setores políticos, inclusive da oposição, propuseram a prisão perpétua. "Isso é lamentável, é apelação pedir prisão perpétua e mais Rota. Nisso o candidato do PT (Luiz Inácio Lula da Silva) e o candidato (Paulo) Maluf se igualaram, o que é uma coisa lamentável". Pinheiro disse que "podem agitar à vontade com a pena de morte, prisão perpétua", pois elas não serão adotadas no país. "O Brasil não vai dar o vexame de sair da Convenção Americana para adotar prisão perpétua ou pena de morte."O secretário frisou, no entanto, que o debate sobre a violência foi importante para mobilizar o Congresso Nacional em torno do tema.

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