Revista 'Veja' reitera que dados sobre FHC são dossiê

No entanto, a revista destaca que não acusou ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de ser autora

Olívia Bulla, da Agência Estado,

29 de março de 2008 | 14h20

A edição desta semana da revista Veja reitera a posição apresentada na denúncia feita na semana passada de que "documento produzido e editado no Palácio do Planalto", com informações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, é, de fato, um dossiê, e não parte de uma base de dados para organizar informações relativas aos gastos com suprimento de fundos desde 1998 até hoje, como sustenta a Casa Civil.   Veja também: Dossiê contra FHC foi decisão de governo 'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista Dilma admite 'banco de dados' sobre FHC e nega dossiê Briga entre FHC e Lula antecipa debate sobre sucessão Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  Momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula    A revista diz que o documento foi produzido e editado "de forma a conter apenas informações potencialmente desabonadoras para FHC e Ruth Cardoso, deixando de lado dados da mesma natureza relativos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia". A reportagem chega a indicar o significado das palavras "dossiê" e "chantagem" nos dicionários e afirma que "as duas coisas ocorreram", reiterando que o documento foi usado para intimidar oposicionistas do governo.   Entretanto, destaca que não acusou a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de ser a autora, "tampouco a viu como incentivadora dessas ações ou conivente com elas". A revista diz que apenas relatou que Dilma tinha uma "batata quente" nas mãos. E que esta "batata" esquentou mais durante a semana e chegou mais perto da ministra.   Segundo a Veja, funcionários das secretarias de Administração e de Controle Interno e da Diretoria de Recursos Logísticos da Presidência foram convocados para o trabalho de levantamento das compras feitas pelo ex-presidente e sua esposa durante seu mandato.   O grupo teria se reunido a partir do dia 11 de setembro em uma sala no anexo II do Palácio do Planalto. Um dos técnicos convocados teria chegado a indagar sobre que tipo de materialidade se estava pesquisando em pilhas de processos de compras enviadas para análise. A coordenadora do trabalho, chefe da Diretoria de Recursos Logísticos, Maria de La Soledad Castrillo, assessora de Erenice Guerra, braço direito de Dilma na Casa Civil, teria explicado que eram "compras inadequadas e mordomias".   Os funcionários teriam analisado, por uma semana, os gastos da família de FHC. Cada despesa mais exótica encontrada, diz a Veja, era efusivamente comemorada, tal como uma nota fiscal que descrevia a compra de fraldas descartáveis e sabonete infantil.   Ao final, a revista sugere que a investigação se debruce também em como os dados sigilosos do ex-presidente foram produzidos e como foram organizados, uma vez que as 13 páginas do que sustenta ser um dossiê "apresentam apenas transações exóticas dos tempos da Presidência de FHC". Para a revista, "alguém os classificou com base em um critério muito preciso".

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