Revista britânica destaca ?dificuldades? de FHC

A revista britânica The Economist publicou nesta semana uma reportagem sobre as dificuldades enfrentadas pelo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Sob o título "Rachaduras aparecem sob Cardoso", a revista afirma que os problemas no abastecimento de energia e os tremores nos mercados financeiros ameaçam os planos do presidente de manter a economia em um bom estado e, desta forma, superar a crise política.A revista disse que o presidente está tentando, desde fevereiro passado, impedir a CPI da Corrupção sob a alegação de que ela impediria o Congresso Nacional de aprovar reformas importantes e que as denúncias devem ser investigadas pela polícia e promotores. "Mas a imprensa brasileira continua revelar mais evidências de irregularidades", informa The Economist.Segundo a reportagem, até recentemente o presidente não tinha que se preocupar muito com turbulências na coalizão governista. O fortalecimento do crescimento econômico estava recuperando com firmeza a popularidade e a autoridade do presidente, danificadas após a desvalorização do real em 1999. "Mas agora também há nuvens sobre a economia", com as preocupações dos investidores com uma possível moratória na vizinha Argentina afetando a moeda brasileira e forçando uma elevação dos juros."O perigo para Cardoso é que as renovadas preocupações econômicas e a crise política comecem a se realimentar de si mesmas", diz a revista, ressaltando que o presidente agiu "com firmeza" ao determinar o fechamento da Sudam e da Sudene. A revista afirma que as atitudes do presidente esta semana deram indícios de ?pânico?. "Ele cancelou abruptamente medidas drásticas para limitar o uso de energia, incluindo multas pesadas, que haviam sido anunciadas poucos dias antes. Após mostrar que esperava a demissão do ministro Fernando Bezerra, cujo portfólio incluía a Sudam e a Sudene, ele se disse chocado quando o ministro renunciou ao cargo."Outro "sinal de pânico", segundo a revista, foi a demissão "temporária" do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para que ele pudesse reassumir sua cadeira no Congresso com o objetivo de votar contra a CPI. A reportagem disse que a principal prioridade do governo é manter a estabilidade econômica diante das recentes turbulências nos mercados financeiros. O governo está determinado em manter a inflação e a dívida do setor público sob controle. "Com uma eleição presidencial marcada para o próximo ano, isso será duro", argumentou a publicação, lembrando que a maior parte da dívida pública do País está ligada a taxas de juros de curto prazo ou ao câmbio. The Economist diz ainda que o Brasil obteve importantes progressos sob a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso, com a melhora das finanças públicas e controle da inflação. Pela primeira vez o Brasil deve cumprir os termos de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fechado no final de 1998. "Mesmo assim, Gustavo Loyola, um dos predecessores de Armínio Fraga no Banco Central, sugere que seria uma atitude de segurança estender o acordo com o FMI em um ano, para o final de 2002".Isso reforçaria junto aos investidores a idéia de que o Brasil não se desviará de suas metas econômicas diante da eleição e significaria a manutenção do apoio do FMI caso a situação fique difícil. "Isso não é necessário, diz o senhor Fraga. Mas, diante da longa lista de preocupações políticas e econômicas, isso poderia ajudar", concluiu a revista.

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