Revista alia propina na Casa Civil à compra de Tamiflu

A última edição da revista Veja associa um esquema de pagamento de propina na Casa Civil à compra do medicamento Tamiflu, usado no tratamento da gripe H1N1. A revista relata que o negócio teria beneficiado servidores da Pasta em julho de 2009. Na época, a presidenciável Dilma Rousseff ocupava o cargo de ministra da Pasta e Erenice Guerra, que a sucedeu, era secretária-executiva. O Ministério da Saúde já divulgou nota, hoje mais cedo, em que contesta reportagem.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

18 de setembro de 2010 | 16h10

Segundo a Veja, o governo fechou em junho do ano passado uma compra emergencial do Tamiflu, com aval da Casa Civil. Teriam sido comprados mais medicamentos que o necessário, no valor de R$ 34,7 milhões, em troca de comissão. A reportagem afirma que o advogado Vinícius de Oliveira Castro - ex-assessor da Casa Civil, que deixou o cargo na semana passada após denúncias contra Erenice - teria recebido R$ 200 mil.

O Ministério da Saúde afirma que adquiriu "quantidade suficiente do antiviral para tratar 14,5 milhões de pessoas" no valor global de R$ 400 milhões. Explica que o valor foi definido a partir de "critérios exclusivamente técnicos", para tratar de 10% da população brasileira. "As negociações do ministério com o laboratório resultaram num preço 76,7% mais baixo" que o de mercado, diz a nota. O ministério acrescenta que as compras foram realizadas diretamente com o laboratório Roche, único produtor do medicamento, sem intermediários. Segundo a nota, a "Casa Civil não teve interferência no processo" e a vacina contra a gripe chegaria ao Brasil somente em 2010. Por isso, o Tamiflu "era a única solução indicada contra a doença disponível naquele momento".

De acordo com a revista, o ex-assessor Vinicius Castro teria recebido R$ 200 mil em dinheiro vivo em julho de 2009 como recompensa pela negociação. O dinheiro, relata a revista, teria sido encontrado em um envelope pardo pelo assessor de Erenice. Vinicius pediu demissão do cargo depois da revelação de que operaria um esquema de lobby no Palácio do Planalto. Agia, segundo a revista, em parceria com Israel Guerra, filho de Erenice. Para atuar, ambos teriam montado em Brasília a empresa Capital Assessoria em nome de laranjas. Israel teria usado o irmão Saulo, e Vinicius, a mãe Sônia, que vende queijo em Minas.

A reportagem diz que, ao receber os R$ 200 mil, Vinicius teria ouvido de um assessor: "É a PP do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo". PP, informa a revista, era um recado cifrado. Seria a sigla para os pagamentos oficiais do governo. Vinicius é sobrinho do ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira. A revista diz que Oliveira confirmou a propina em entrevista gravada. Um outro assessor teria contado a mesma história.

Erenice pediu demissão na última quinta-feira, depois da revelação de que seu filho teria montado um esquema de propina e lobby no governo Lula. Ela era o braço direito de Dilma na Casa Civil.

Na edição desta semana, a Veja denuncia ainda que o marido de Erenice, o engenheiro elétrico José Roberto Camargo Campos, também teria sido favorecido dentro do governo. Camargo teria convencido dois amigos, donos de uma pequena empresa de comunicações, a disputar o milionário mercado da telefonia móvel. Em 2005, a empresa Unicel, tendo Camargo como diretor comercial, teria conseguido uma concessão da Anatel para operar telefonia celular em São Paulo. Segundo a Veja, a empresa do marido de Erenice teria ganhado o direto de entrar no mercado por decisão pessoal do então presidente da agência, Elifas Gurgel.

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