Revisor condena ex-vice-presidente do Rural por lavagem

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, votou nesta quarta pela condenação de José Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural, pelo crime de lavagem de dinheiro. Com a manifestação anterior do ministro Joaquim Barbosa, relator da ação, é o segundo voto que o ex-dirigente do Rural recebe por essa acusação. Salgado já foi condenado pelo STF pelo crime de gestão fraudulenta da instituição financeira.

RICARDO BRITO, Agência Estado

12 de setembro de 2012 | 19h02

No caso da lavagem de dinheiro, a Procuradoria-Geral da República acusou Salgado de ter participado do esquema que omitira dos órgãos de fiscalização bancária os reais beneficiários dos saques de pessoas indicadas pelo publicitário Marcos Valério e pelas ex-funcionárias dele, a ex-assistente financeira da SMP&B Comunicação Geiza Dias e a ex-gerente financeira da agência de publicidade Simone Vasconcelos. Os saques da conta da empresa, sustentou o MP, eram registrados pelo banco como "pagamentos a fornecedores".

No seu voto, Lewandowski disse que a procuradoria conseguiu "satisfatoriamente" comprovar a culpa de Salgado. O ministro argumentou que o ex-dirigente tinha "plena consciência" de que os empréstimos tomados pelas empresas de Valério "provinham de crimes contra o sistema financeiro nacional". Para o magistrado, o réu agiu "dolosamente" de forma a ocultar os reais beneficiários dos recursos sacados das contas das empresas de Valério.

O revisor disse que Salgado agia em conjunto com a ex-presidente e atual acionista do banco, Kátia Rabello. Pouco antes, Lewandowski votou pela condenação dela pelo mesmo crime. Para reforçar a culpa de ambos, o ministro citou o depoimento do ex-superintendente do banco Carlos Godinho, que, à Justiça, deu detalhes do envolvimento do alto escalão da instituição. "Esse depoimento mostra que, não obstante essas operações foram identificadas pelos controles informatizados do banco como operação suspeita, quando chegava à cúpula do Rural era ocultada", destacou.

O ministro lembrou que o ex-vice-presidente do Rural entrara para o banco em 1995 e, por essa razão, teria conhecimento de como funcionam as operações bancárias.

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